O tabu em relação à educação sexual no Brasil e suas implicações para os jovens
Enviada em 30/05/2024
A constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a saúde, em seus aspectos físicos e psicológicos, como inerente todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a negligência em relação à educação sexual no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a discussão dos fatores que favorecem esse quadro.
Em primeira análise, na obra “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir disse que toda opressão cria um estado de guerra. Paralelamente, na contemporaneidade, vale ressaltar o sexismo como promotor do problema, uma vez que, o legado patriarcal fixa o conceito de que “mulheres boas são pudicas” ou “o desejo sexual das mulheres é mal”, isso origina o embate entre o conceder e o negar aos jovens, maiores vítimas da problemática, o conhecimento acerca do que é o sexo e das consequências que ele impõe. Assim, visto que a puberdade traz consigo grande liberação de hormônios, essa fase é propícia ao início de uma vida sexual ativa, logo, como essa população nunca foi ensinada a proceder com essas circunstâncias, cria-se o cenário antagônico da modernice.
Outrossim, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhões de adolescentes são mães por ano, assim como, 1 a 4 jovens na faixa etária de 18 anos tem uma IST (infecção sexualmente transmissível). Dados essas informações alarmantes, os problemas relacionados ao transar sem camisinha ou quaisquer outros métodos contraceptivos, por não saber que eles existem ou da importância deles, degrada a vida dos jovens e das crianças concebidas dessas relações, que, na maioria das vezes, com pais desempregados, não terão o básico para viver.
Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa falha na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a aversão à educação sexual, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por meio das escolas, será revertido em conscientização e distribuição de métodos contraceptivos. Desse modo, atenuar-se-á, a médio e a longo prazo, o impacto nocivo dos tabus impostos e a Constituição Federal por fim será legítima.