O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 03/09/2020
O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso da vida humana. De maneira análoga, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo tornou-se uma pedra no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que ele impede a efetivação do pleno bem-estar social. Nesse sentido, é imperioso analisar como a falta de fiscalização e a vulnerabilidade social dos trabalhadores contribuem para que exista esse problema na agremiação brasileira.
Em primeiro plano, é indubitável que a falta de fiscalização esteja entre as causas do transtorno, tendo em vista que algumas empresas aliciam as pessoas, a fim de produzirem em maior quantidade e diminuírem os gastos que teriam de acordo com as normas trabalhistas. Dessa forma, esses indivíduos passam por jornadas de trabalho exaustivas, não recebem um salário ou ganham um valor muito baixo que não condiz com a realidade proposta. Lamentavelmente, a ausência de fiscalização faz com que essas situações sejam recorrentes mesmo após a escravidão no Brasil ter sido abolida por meio da Lei Áurea em 1988. Nesse panorama, segundo o Ministério do Trabalho, em 2015 foram libertados pelo menos 1111 trabalhadores de condições análogas à escravidão.
Em segundo plano, destaca-se a vulnerabilidade social dos trabalhadores em razão da pobreza e da baixa escolaridade. Isso porque os chamados “gatos”, que são os aliciadores, aproveitam-se da ignorância e do desespero de alguns indivíduos em obter uma renda para sustentar sua família. Dessa forma, fazem uma falsa promessa de um ótimo salário e uma excelente condição de trabalho, porém quando os aliciados chegam ao local percebem que foram enganados. Infelizmente, eles acabam sendo obrigados a permanecerem no lugar, pois o empregador recolhe seus documentos como garantia para que não haja fuga. Nessa lógica, de acordo com o site Repórter Brasil, 33% dos trabalhadores são analfabetos e 39% só estudaram até o quinto ano.
Logo, é notório que a falta de fiscalização e a vulnerabilidade social são apenas dois dos fatores que acarretaram o trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Portanto, é imprescindível o Governo, crie um programa de fiscalização nas empresas, com a participação de mestres e doutores da área, por meio da visita constante de fiscais para que os direitos trabalhistas constituídos em lei sejam assegurados, além da aplicação de multas para as empresas que mantiverem trabalho escravo, a fim de não permitir que mais pessoas sejam enganadas e tenham suas vidas prejudicadas e, assim, erradicar todas as pedras do meio do caminho da sociedade como no poema “No meio do caminho” de Drummond.