O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 03/09/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar, eternamente, uma pedra montanha acima. Todos os dias, ele atingia seu topo, contudo era vencido pela exaustão e a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito se assemelha á luta cotidiana da sociedade para exterminar o trabalho escravo no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas a escravidão moderna  no Brasil é um desafio que ocorre devido não só à busca incessante pelo lucro, mas também à negligência governamental.

Nesse cenário, a rede Bandeirantes de TV, em 2011, publicou uma matéria que mostrou como os fornecedores de roupas da Zara eram submetidos à situação análoga a escravidão, sem direitos, com muitos deveres, além de uma remuneração baixíssima. Nesse sentido, corroborando com o filósofo alemão Frederich Stolks, em seu livro “O mais-valia moderno”, o autor afirma que, as empresas, em sua ganância por dinheiro, desumaniza o ser-humano. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Dessa forma, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras na ânsia por dinheiro de algumas empresas que marginalizam e violentam, ainda que simbolicamente, parte dos cidadãos brasileiros.

Ademais, a Constituição Cidadã de 1988, garante a todos, sem exceção, o acesso ao trabalho, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Sendo assim, Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, disse que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que são ineficazes os mecanismos para garantir que não haja trabalho escravo (como o fortalecimento de fiscalização para coibir essa prática), fazendo os direitos permanecerem no papel. Sendo assim, faz-se necessário a atuação dos órgãos governamentais para concretizar os direitos dos cidadãos.

Portanto, para mitigar o problema elencado, é dever do Ministério da Ciência e Tecnologia criar um canal de comunicação mais efetivo com a sociedade, por intermédio de aplicativos, divulgados em redes sociais, como o Facebook, para que denúncias de situação de escravidão sejam registradas, garantido voz a essa parcela mais fragilizada. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Cidadania, elaborar, por meio de publicidade, campanhas educativas, nas mídias sociais, como Twitter e Instagram, com foco no trabalho escravo, para que a sociedade tenha consciência sobre a desumanização que algumas empresas cometem e assim, a população saiba identificar quem comete essa prática. Assim, como efeito social, o não haverá mais trabalho escravo no Brasil, corroborando para que essa mazela fique apenas no passado.