O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 03/09/2020

No período colonial, o tráfico negreiro correspondia um setor chave para o desenvolvimento da colônia, contando com inúmeros escravos em condições insalubres que foi extinto somente no período Pombalino. Entretanto, o quadro atual com intensas cargas horárias e situações precárias no sistema laboral representa não apenas um retrocesso na história de lutas por merecimento digno de serviços, mas também, um preocupante cenário quanto as condições socioeconômicas da sociedade, que em parte, não possuem opções de escolhas. Nesse contexto, configura-se uma vertente alarmante devido à falta de fiscalização adequada atrelada ao déficit de capital .

Em primeira análise, cabe salientar que as lutas operárias representam um avanço no processo democrático. De acordo com o movimento Ludismo, a quebra de máquinas significava uma resposta contra a precarização de serviços no contexto da Revolução Industrial. Assim, análogo ao exposto, reflete-se ainda o drama vivenciado por uma parcela de trabalhadores na contemporaneidade, que enfrentam um modo escravista em forma de trabalho, como jornadas exaustivas, baixos salários e ausência de reconhecimento básico e essencial dos direitos assegurados pela Previdência Social. Dessa forma, a continuidade de um prática arcaica contribui para o país ser considerado retrógrado.

Outrossim, vale ressaltar que a falta de percepção na esfera trabalhista contribui para o fortalecimento de outrem. Sob essa lógica, é pertinente destacar que, a alienação proposta por Karl Marx vai de encontro ao enriquecimento da classe dominante e o enfraquecimento da classe dominada. Nessa óptica, é valido pontuar que a comunidade carente busca um meio para a sustentação, estando sujeita a uma conjuntura lastimável, devido ao aproveitamento no círculo laborativo e consequentemente dando sequência ao exercício vicioso e impróprio, no qual o patrão detêm de todos os benefícios da produção e os demais são deteriorados no ato cotidiano.

Logo, cabe ao Estado, junto ao Ministério de Segurança Publica solucionarem o vigente entrave. Ao primeiro, é de alçada realizar uma ajuda financeira à comunidade carente, por meio de verbas assistenciais, criando um programa que possa atingir a todos aqueles que necessitam de tal insumo, através da análise da renda per capita de cada família, para assim, auxiliar o processo digno de um cidadão e superar o estado deficitário das famílias. Ademais, cabe ao segundo, reforçar a fiscalização nos postos de trabalho, por meio do aumento de fiscais e de idas regulares aos ambientes de serviço,  para assim fiscalizar os requisitos básicos que toda instituição deve possuir, como a Carteira de Trabalho regularmente assinada junta aos direitos de férias e outros devidamente assegurados aos trabalhadores. Dessa forma, atenuar-se-á, as práticas escravistas na contemporaneidade.