O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 04/09/2020
Durante os séculos XVI ao XIX, o Brasil, sob colonização portuguesa, percorre um extenso período de exploração e escravidão. Dessa maneira, as populações em situação de vulnerabilidade eram as principais vítimas da escravatura, como indígenas nativos do território e negros trazidos da África. Em vista disso, observa-se que a cultura do racismo e da escravidão teve forte influência entre a sociedade do Brasil Colônia, e que vestígios sociais desse período ainda permeiam a população brasileira. Portanto, não há dúvidas de que a herança do pensamento exploratório fomenta a escravização e as más condições de trabalho, não só para brasileiros, mas também para os imigrantes latino-americanos.
Em primeiro plano, é importante considerar que no ano de 2018, ações fiscais do Governo Federal, apontaram cerca de 1,7 mil casos de trabalho escravo no Brasil. Nessa temática, nota-se portanto, que a cultura da escravidão ainda é sustentada socialmente entre os brasileiros. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do escritor Darcy Ribeiro, no qual ele enfatiza que o Brasil, como último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca em sua herança, que torna a classe dominante enferma de desigualdade, de descaso. Assim, é necessário notar as consequências sociais e culturais que a exploração portuguesa fomentou no país, e reconhecer que a sociedade brasileira ainda carrega vestígios sócio-históricos da escravatura e da opressão.
Em segundo lugar, vale salientar que o Brasil recebe uma grande parcela de imigrantes e refugiados legais e ilegais, em busca de melhores condições de vida e trabalho. Em virtude disso, é pertinente ressaltar que pesquisas fornecidas pelo Ministério do Trabalho, apontam que bolivianos e peruanos acentuam grande parte dos trabalhadores em indústrias têxteis brasileiras, e em sua maioria sob más condições de trabalho e remuneração. Em síntese, é notório que imigrantes em situação de vulnerabilidade buscam conquistar melhores condições de vida no território brasileiro, entretanto, são atingidos pela exploração e pela desigualdade que assola o país.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Diante dessa perspectiva, cabe ao Governo Federal e ao Ministério do Trabalho promoverem a erradicação do trabalho escravo no Brasil, por meio de fiscalizações, leis e regulamentações trabalhistas que preveem a melhora nas condições de trabalho e remuneração de brasileiros e imigrantes. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação promover a incrementação do estudo da história escravocrata, por meio de aulas regulares, palestras e filmes que abordem a exploração social, visando a educação e a conscientização populacional. Somente assim, haverá um caminho traçado para a igualdade e para a erradicação da escravidão no Brasil.