O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 07/09/2020

Na obra “Utopia” do escritor Thomas More, encontra-se o detalhamento de uma ilha, constituída por cinquenta e quatros cidades, que funcionava de forma perfeita e, assim, os utopianos, como eram chamados os habitantes desse local, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao analisar a realidade do trabalho escravo no Brasil, nota-se uma nação que não contempla a civilização ilustrada por More. Desse modo, tal conjuntura social demonstra os efeitos de um sistema econômico que reduz o valor da vida, mas também um país que trata de forma desigual os seus cidadãos.

Em primeiro lugar, o poeta romancista Castro Alves em seu poema “O Navio Negreiro” ecoou a crueldade que os escravos estavam submetidos diante do sistema escravocrata. Sob tal prisma, quando se observa a continuidade desse mal, apesar de, atualmente, configurar-se como um crime, nota-se uma civilização que anseia pela maximização do lucro, mesmo em contexto que propicia a redução do valor da vida, pois, conforme o filósofo Michel Foucault, a sociedade de mercado só considera o ser humano útil quando está produzindo. Assim, em um modelo econômico que se baseia apenas no rendimento financeiro permite que atitudes desumanas tornem-se difíceis de serem mitiga-das no tecido social.

Ademais, conforme o escritor “maldito”, Lima Barreto, no Brasil há dois mundos, o dos privilegiados e o dos deserdados. Nessa perspectiva, percebe-se que esse ambiente de injustiça social favorece a permanência do trabalho compulsório, uma vez que em um quadro de privilégios apenas para uma par-cela da população faz com que os excluídos desses benefícios, como educação de qualidade, encon-trem maiores entraves para o seu crescimento pessoal e devido a isso são mais suscetíveis a esterem em situações de subempregos análogos a escravidão. Desse modo, tal cenário fragiliza a Declara-ção Universal dos Direitos Humanos, no tocante a - todos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

Logo, é mister que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe a esse, mediante repasse de verbas governamentais, traçar políticas públicas, a fim de coibir o trabalho escravo no país. Nesse viés,  o governo, por meio de uma força tarefa, aumentará as fiscalizações para combater tal prática, em conjunto, com o aumento das punições para quem realiza atividades análogas a escravidão, com objetivo de construir uma nação que cresça economicamente e socialmente. Outrossim, promoverá uma reforma no sistema educacional, por meio de aulas que dialoguem habilidades cognitivas e socioemocinais, com o propósito de estimular ao máximo o crescimento do  ser humano, e, assim, fomentar uma sociedade igualitária nas conquistas sociais. Diante disso, permitir-se-á uma população que reverbere os utopianos.