O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/09/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da aparente inextinguibilidade do trabalho escravo no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também à evasão escolar.
De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Política”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação à contenção de organizações criminosas, que sustentam essa prática, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias G1, os quais revelam que, no ano de 2019, mais de mil pessoas foram resgatadas do trabalho escravo no Brasil, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.
Outrossim, a evasão escolar contribui para a acentuação da problemática. Ocupando a sétima posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nos elevados índices de evasão escolar, fenômeno esse responsável por sujeitar os indivíduos a buscarem formas ilícitas de ascensão social. Nesse viés, muitas pessoas, submetem-se a trabalhos análogos à escravidão para poder sobreviverem. Diante disso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter a realidade vigente, a qual, segundo o site de notícias Repórter Brasil, 39% das pessoas regatadas do trabalho escravo só estudaram até o quinto ano.
Logo, para que o triunfo sobre o trabalho escravo no Brasil seja consumado, urge que o Superministério da Justiça, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova, por meio da polícia civil e militar, ações ostensivas e processos investigativos, com o fito de por um fim nessa adversidade de raízes históricas. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a criação de delegacias especializadas, com o objetivo de agilizar os processos burocráticos referentes à investigação. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados na educação, com o intuito de melhorar a assistência estudantil e diminuir os índices de evasão escolar. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.