O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/09/2020

A produção televisiva “Salve Jorge” retrata a história de uma protagonista pobre que é persuadida a abandonar seu local de vivência em prol de um trabalho supostamente promissor. Disposta a melhorar suas condições de vida, ela o aceita. No entanto, posteriormente descobre que foi vítima de um esquema de tráfico humano e que agora estava destinada a realizar trabalho escravo. Apesar de se tratar de uma ficção, a obra reflete a realidade de milhares de brasileiros, que devido à vulnerabilidade social e à escassez de informações, são ludibriadas e inseridas em um sistema explorador e desumano que data da era colonial: a escravidão.

Em primeira análise, pode-se afirmar que a vulnerabilidade socioeconômica é um dos fatores que propiciam o escravismo na contemporaneidade. Muitos indivíduos, em situação de pobreza e sem perspectivas, acabam sendo os alvos perfeitos para aliciadores ligados ao trabalho escravo, que com o uso de propagandas enganosas, convencem esses a deixarem seus locais de origem em busca de ascensão econômica, mas que, ao contrário, terminam sendo submetidos a exaustivas jornadas laborais com pouca ou nenhuma remuneração. Dessa maneira, observa-se uma verdadeira crise moral, em que a demanda pelo máximo lucro capitalista se sobrepõe aos princípios humanos éticos e morais.

Ademais, cabe ressaltar que a falta de discussão e de informações sobre o tema, permitem que mais pessoas sejam enganadas e subordinadas a tais condições degradantes. É sabido  que a maioria das vítimas de trabalho escravo apresentam baixa instrução - consequência das precárias circunstâncias socioeconômicas nas quais se encontram - como mostram dados do extinto Ministério do Trabalho, os quais revelam que mais da metade do total de escravizados resgatados entre 1995 e 2016 eram analfabetos e provenientes das regiões menos desenvolvidas do Brasil. Aliado a isso, a falta de propagação desse assunto nas mídias, bem como o desconhecimento dos meios de denúncia por grande parte da população, impedem que esse impasse seja superado.

Em suma, conclui-se que o trabalho escravo ainda é uma problemática presente no Brasil contemporâneo e portanto, urge por medidas que o solucione. Dessarte, é papel do Estado desenvolver projetos de geração de emprego em áreas carentes, por meio da instituição de indústrias têxteis ou alimentícias nesses locais, a fim de suprir as necessidades econômicas dessas populações, tornando-as menos suscetíveis ao trabalho escravista. Também é papel do Governo realizar campanhas por meio das mídias, trazendo informações sobre o assunto, assim como as formas de denúncia, com o fito de alertar as pessoas sobre o tema, diminuindo assim as chances de sucesso da persuasão de aliciadores. Assim, situações como observadas em “Salve Jorge” poderão ser erradicadas no País.