O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 10/09/2020

Segundo o sociólogo Durkheim, “o homem mais do que formador da sociedade, é um produto dela”. Nesse sentido, ao observar a problemática que envolve o trabalho escravo no Brasil contemporâneo, verifica-se a necessidade de adotar medidas interventivas capazes de reverter números como a quantidade de crianças e adolescentes que são submetidos a esse ambiente. Tal fato permite afirmar que a resolução dos entraves referentes à falta de fiscalização no trabalho da área rural e a pouca instrução fornecida as pessoas que estão no mercado de trabalho possibilitará a formação de uma sociedade mais justa.

Apesar de o filósofo Locke defender que “onde não há lei, não há liberdade”, a sociedade brasileira, somente por meio de sua Constituição Federal, não garante de fato a liberdade. A razão para os entraves que permeiam a série de problemas em questão está na ausência da vigilância nos campos. Isso ocorre, pois locais distantes dos centros urbanos são de difício acesso, já que em sua maioria não apresentam asfaltamento ou energia elétrica. Outro ponto importante é que mais de 50% dos casos de violação dos direitos humanos em relação a um serviço tem como origem um local com baixa industrialização e escolaridade, o que facilita o manejo de crianças e adolescentes para o trabalho forçado.

Ademais, soma-se a isso a pouca instrução fornecida a população sobre os direitos trabalhistas e humanos. Tal fato se justifica em, ainda hoje, nas escolas de ensino público não haver diretrizes que consigam ensinar e conscientizar os jovens da seriedade e dos riscos que esses ambientes oferecem. Vale ressaltar que a ignorância constitucional é algo extremamente preocupante e somente com muita sapiência é possível sanar esse obstáculo, pois, de acordo com Nelson Mandela a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.

Portanto, é essencial buscar soluções para combater a falta de vigilância em áreas rurais e a ausência de instrução, já que como diria Sartre: “o homem tem de se inventar todos os dias”. Inicialmente, cabe ao Ministério do Trabalho promover um aumento na fiscalização no trabalho do campo, de modo que direcione agentes para as áreas de difícil acesso para que diminua a incidência desses casos. De modo complementar, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos desenvolver palestras comunitárias, com o apoio de professores da rede pública, em escolas municipais e estaduais afim de conscientizar e ensinar ao povo seus direitos e deveres previstos pela Constituição de 1988. Espera-se que, com ações desse tipo, esse entrave seja amenizado.