O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/09/2020
A pintura do artista francês Jean-Baptiste Debret retrata um escravo sendo castigado por seu capataz, sendo um registro fiel da escravidão brasileira, a qual foi abolida somente no fim do século XIX. Entretanto, apesar do trabalho escravo ser uma prática ilegal e desumana, esse fenômeno ainda mostra-se persistente no cenário do Brasil contemporâneo. Sendo assim, questões como a fragilização da dignidade humana e a negligência estatal são impasses que precisam ser solucionados.
Em primeiro plano, as condições subumanas as quais os trabalhadores de diversas regiões são submetidos corrobora a problemática atual. A esse respeito, segundo o Ministério Público do Trabalho o número de denúncias de trabalho análogo à escravidão aumentou em 2019. Nesse contexto, esse fato evidencia a permanência, ainda no século XXI, de casos de servidão forçada e a consequente violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual proíbe qualquer forma de escravidão, tendo em vista que não só coloca em risco a saúde física e mental do indivíduo como também a sua própria vida. Dessa forma, enquanto a fiscalização eficiente não for a regra, a dignidade humana do trabalhador será a exceção.
De outra parte, a ausência de um investimento na educação escolar inviabilizam a erradicação do trabalho forçado. Nesse sentido, de acordo com dados publicados em 2017 pela Nações Unidas Brasil, um homem foi resgatado em condição análoga à escravidão após receber proposta de emprego. Ocorre que casos como esse são frequentes no âmbito brasileiro, pessoas as quais encontram-se em situação de vulnerabilidade socioeconômica, desprovidas de acesso a um ensino de qualidade e, consequentemente, alienadas em relação à seus direitos, aceitam ofertas de serviços que aparentam ser vantajosos e acabam presos às situações degradantes. Assim, não é razoável que a falta de uma educação de qualidade seja obstáculo para a conscientização do indivíduo de seus direitos.
Urge, portanto, medidas as quais eliminem o trabalho exploratório. Dessa maneira, o Ministério do Trabalho deve promover maior fiscalização nos locais, conhecidos por meio de denúncias de que utilizam serviços forçados em suas atividades, com o devido aparato policial, a fim de garantir a plena execução dessas ações e a integridade dos trabalhadores. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, precisa colocar em prática um plano de reestruturação didática o qual exija dos professores a transmissão de conhecimento aprofundado e, mediante o financiamento do Poder Público, disponibilizar ótimos materiais didáticos, com o intuito de assegurar aos indivíduos a conscientização acerca de seus direitos de denúncias e reivindicações. Dessarte, o Brasil erradicará cenários semelhantes ao descrito pelo pintor Debret.