O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 11/09/2020
No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano, típico vaqueiro, busca melhorar de vida e, para isso, submete-se a um emprego com situações análogas à escravidão. Do contexto literário para a realidade brasileira, apesar de medidas combativas por parte do Estado no que tange ao trabalho escravo, cabe aprimorar as políticas públicas de inserção social dos trabalhadores resgatados. Sendo assim, torna-se imprescindível agir, inadiavelmente, para superar as consequências da condição sub-humana de trabalho no Brasil atual.
Em primeiro plano, é relevante abordar que a Constituição Federal de 1988 - baseada na Declaração Universal dos Direitos Humanos - assegura, no artigo 7°, o direito ao trabalho digno a todos os cidadãos, mediante garantia do salário mínimo, jornada justa, férias e aposentadoria. Isso posto, o Ministério Público do Trabalho age não só autuando as empresas que restringem a liberdade e as condições básicas de saúde dos empregados, mas também libertando esses sofridos indivíduos da escravidão contemporânea. Nesse contexto, de acordo com o MPT, 55 mil pessoas foram libertadas entre 1995 e 2017 e, aproximadamente, 5 milhões de reais foram pagos de indenização. Logo, é irrefutável que o Estado deve continuar no caminho da condenação das empresas criminosas e, sobretudo, da garantia de liberdade para esses seres humanos.
Ademais, vale ressaltar que não basta apenas o resgate das pessoas que laboram em condições análogas à escravidão. Acima disso, o Estado deve assegurar condições humanas para que elas não voltem a essa humilhação. Na esteira desse processo, o Movimento Ação Integrada conjuga esforços para promover a modificação social, educacional e econômica dos resgatados do trabalho escravo e vulneráveis, através da articulação interinstitucional entre as entidades públicas, privadas e da sociedade civil. Dessa maneira, é imprescindível a implementação de políticas públicas eficientes para conceder aos labutadores direitos trabalhistas suficientes para os deixar resguardados desse regime escravocrata nefasto.
Dessa forma, fica clara a necessidade de um plano de ação intersetorial que proporcione à nação um labor digno no Brasil atual. Isso se dará com a atuação do Ministério Público do Trabalho - como órgão que visa a defesa da ordem jurídica -, ao punir severa e legalmente os criminosos que cerceiam a liberdade dos trabalhadores, por meio de sentença que determine o recolhimento de INSS e FGTS pelo período de trabalho e pagamento de indenização para as vítimas - referente aos danos morais sofridos - a fim de superar a escravidão contemporânea e caminhar em consonância com os Direitos Humanos. Com isso feito, o Brasil agregará, felizmente, os trabalhadores ao labor digno.