O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/09/2020

A escravidão no Brasil ocorreu, legalmente, durante mais de 300 anos, desde a chegada dos portugueses até 1888, quando ocorreu a promulgação da Lei Áurea. Apesar de ser comum dizer que essa prática acabou, sabe-se que até hoje alguns empregadores, indústrias e empresas obrigam seus funcionários a trabalharem muito, sem dar para eles os devidos direitos, pagamento adequado e respeito. Nesse sentido, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo deve ser analisado a partir de uma dimensão cultural e também de uma questão política, visto que há uma ausência de eficiência no combate à esse crime no país.

Primeiramente, entende-se que o motivo do racismo na sociedade brasileira ser tão presente e forte, é o fato da escravidão ter feito parte da história durante um período tão longo. Desta forma, o esteriótipo do trabalhador ser forte, aguentar enormes quantidades de tarefas e ser submisso ao patrão é altamente difundido, o que faz com que empregadores se sintam no direito de explorar seus funcionários. Sob esse viés, os contratados para realizarem trabalhos braçais, como empregadas domésticas, faxineiros, cortadores de cana-de-açúcar e outros cargos que costumavam a ser ocupados por escravos, tendem a ser os mais submetidos às situações escravistas, devido à cultura proveniente dessa época.

Em segundo lugar, por mais que tenham leis e políticas que criminalizam a escravidão, na prática, os responsáveis nem sempre são devidamente punidos. Recentemente, de acordo com o jornal G1, foi-se descoberto que a loja Renner manteve 37 costureiros bolivianos sob condição de trabalho escravo em 2014, contudo, a loja continua em atividade em diversas cidades do país. Sendo assim, nota-se que a justiça brasileira é extremamente falha e injusta, grande parte das vezes ignorando ou absolvendo crimes feitos por pessoas ricas, influentes ou empresas grandes, devido à corrupção existente.

Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Além de incluir um número maior de história do Brasil no currículo das escolas, o governo deve garantir que os responsáveis pelo trabalho escravo sejam devidamente punidos, por meio da criação de leis mais severas, banindo empresas acusadas dessa prática do território nacional. Isso pode ser feito, por exemplo, com a ajuda de organizações não governamentais (ONGs), que investiguem quais empresas estão envolvidas nessa atividade, tendo como finalidade eliminá-las da sociedade. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que, assim como deveria ter ocorrido em 1888, a escravidão seja, enfim, extinta.