O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/09/2020

Ao afirmar “deve haver algum lugar onde o mais forte não consegue escravizar quem não tem chances”, o cantor brasileiro Renato Russo faz, de certo modo, uma alusão ao trabalho escravo. De fato, ele estava certo, pois o trabalho forçado ainda é uma realidade. Além disso, durante a década de 1530, época em que os portugueses começaram o processo de colonização no Brasil, os indígenas foram utilizados como a principal mão de obra dos portugueses, ou seja, foram escravizados. Nesse sentido, hodiernamente, os problemas ainda persistem, seja pela vulnerabilidade socioeconômica, seja pela baixa fiscalização.

Deve-se destacar, de início, a vulnerabilidade socioeconômica, como um dos complicadores do problema. Nesse viés, é bastante comum as vítimas do trabalho escravo serem pessoas de baixa renda ou desempregadas, geralmente com pouca ou nenhuma instrução, que procuram uma saída para a situação precária que estão vivenciando. Por conseguinte, o filme nacional de comédia, " Crô - O filme", também aborda de forma lúdica a história de um grupo de imigrantes ilegais que começam a trabalhar como escravas em uma indústria de confecções, revelando ao público a realidade dessa situação. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, a escravidão seja uma realidade no Brasil, violando o que é exigido constitucionalmente.

Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pela baixa fiscalização. Sendo assim, é possível perceber que nas áreas rurais a escravidão é mais ocorrente, pois o agronegócio é o setor que mais recruta pessoas para trabalhar em um regime semelhante à escravidão. Nessa perspectiva, o número de fiscalizações, principalmente em áreas rurais, vem decrescendo ao longo dos anos, muitas vezes por falta de fiscais, o que prejudica o combate ao trabalho escravo. Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas para que, assim, o fim desse problema deixe de ser uma utopia.

Em suma, é necessário que o Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com a Polícia Federal contrate, por meio de verbas governamentais, equipes de fiscais, a fim de garantir que o número de vítimas diminua e assim, os trabalhadores possam conseguir liberdade. Ademais, é importante, também, que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias sobre a escravidão contemporânea, a fim de aumentar o número de denúncias. Portanto, com tais implementações, a diminuição do trabalho escravo no Brasil será mais evidente e assim, os problemas mencionados serão uma mazela passada na História brasileira. Logo, de acordo com o filósofo chinês Confúcio, " não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros".