O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 15/09/2020
No filme “Tempos modernos”, Charles Chapin retrata - de maneira cômica - o trabalho escravo moderno que se caracteriza pela alta produtividade. Fora da ficção, o cenário empregatista atual, infelizmente, se assemelha à narrativa de Chaplin. No Brasil, a dignidade do trabalho é usurpada pelos problemas enfrentados, a saber: as raízes históricas escravatistas e a jornada exaustiva. Diante dessa perspectiva é pertinente avaliar esses fatores que favorecem essa inercial probemática.
Primordialmente, é válido ressaltar que o trabalho escravo está presente no Brasil há séculos. Embora a Lei Áurea tenha abolido a escravidão e a Constituição Federal tenha reforçado a ilegalidade dela, labor forçado permanece frequente no corpo social brasileiro. Tal assiduidade deixa patente a negligência estatal frente a um crime e é o reflexo da violência, a qual posui raízes profundas na cultura histórico-cultural do Brasil.
Outrossim, é imperioso destacar que a Carta Magna assegura aos brasileiros o direito de dignidade trabalhista. Entretanto, os empregadores aderem à máxima de Getúlio Vargas: a Constituição é como as virgens. Foi feita para ser violada. iante de tal imaginário coletivo, é necessário salientar que os “donos de escravos modernos” exigem jornadas laborais exaustivas, com alta produtividade, principalmente nas fábricas. Essa imposição de alto rendimento outorgada pelos empregadores traz à memória o modelo fordista de produção - alta produtividade com movimentos repetitivos e extritamente exaustivos - que, tristemente, permanece inerte na conjuntura trabalhista contemporânea brasileira bem retratada por Chaplin.
Logo, urge a necessidade de que o Ministério do Trabalho fiscalize as instituições, em especial as fábricas, por meio de uma parceria como a Polícia - e, com esse apoio, também crie e divulgue um disque denúncia que preserve a identidade das pessoas. Isso deve ser feito a fim de que o trabalho escravo no Brasil contemporâneo, retratado em “Tempos modernos”, fique restristo ao passado e ao cinema.