O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/09/2020

O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do Caminho”, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano sofre em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se à luta cotidiana do trabalho escravo no Brasil contemporâneo, visto que muitos lutam contra condições de serviço degradantes, principalmente, nas regiões rurais. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à falta de recursos em certas regiões, mas também ao capitalismo desenfreado.

Em primeiro plano, é lícito postular a ausência de medidas governamentais para combater a falta de recursos. Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática, todos os indivíduos são dignos e têm a mesma importância, além dos direitos e deveres que devem ser garantidos pelo Estado, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades, muitos trabalhadores têm sido alvo de práticas deteriorantes, uma vez que são obrigados à aceitar tais atos pelo fato de não possuírem meios para a sobrevivência, causando uma qualidade de vida lamentável, logo, tornando-os escravos ´´conscientes´´. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, o capitalismo desenfreado também pode ser apontado como promotor do problema. De acordo com o site Esquerda Diário, marcas renomadas como : Zara, Coca-Cola, Apple, e a Sadia foram multadas diversas vezes por manter funcionários em condição análoga a escravidão. Partindo desse pressuposto, percebe-se que o consumismo só vem crescendo e junto, trazendo problemas físicos e psíquicos, para ambas as partes. Destarte, tudo isso retrata a resolução do empecilho, já que o capitalismo desenfreado contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Portanto, é essencial a atuação estatal e social para que tais obstáculos sejam superados. Assim, o Tribunal de Contas da União, deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério do trabalho, será revertido em ações que priorizam investimentos em mais políticas de igualdade salarial, através de normas preestabelecidas que tenham como princípios a valorização do trabalho a partir do salário igualitário, assim como delegar órgãos fiscalizadores para as empresas, na intenção de construir um cenário pautado para o profissional no país. Dessa forma, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil mais democrático.