O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/09/2020
Apesar da libertação dos escravos através da Lei Áurea em 1888, e da Constituição Cidadã instituída um século depois, o Brasil ainda sofre com trabalho análogo à escravidão. Prova disso são as mais de 45 mil pessoas resgatadas dessas condições entre os anos 2003 e 2018. Dessa forma, fica clara a necessidade de combater esse crime hediondo que se aproveita de indivíduos socioeconomicamente vulneráveis para alcançar maior lucro em enormes corporativas.
Frente a tal assunto, cabe a referência à novela brasileira chamada “Salve Jorge” cujo enredo tratava de mulheres levadas a outro país com propostas de emprego que, supostamente, as tirariam da pobreza. Entretanto, ao chegar no novo trabalho percebem que foram enganadas e que seriam sexualmente escravizadas. Fora das telas isso acontece diariamente, seja para tráfico sexual, trabalho na agricultura, indústrias ou construtoras. Ao levar esse indivíduo para longe de suas famílias e reter seus documentos, ele passa a viver uma condição de escravidão moderna da qual dificilmente escapará.
Apesar de muitos resgatados, o Índice Global de Escravidão estima que o Brasil ainda tenha cerca de 200 mil trabalhadores privados de direitos. Diante disso, cabe ressaltar a repugnância desse crime através de textos do autor Cruz e Souza, que em sua época debatia sobra o fim da escravidão africana. Segundo seu livro “Negro”, esse tipo de ofício involuntário e/ou obrigatório fere o indivíduo em todo seu ser e dignidade. Logo, é inaceitável que isso ainda aconteça em pleno século XXI. Ademais, não basta resgatar os trabalhadores, também deve-se dar uma nova vida para ele. Caso contrário, pode ser novamente atraído para a cilada das propostas de emprego que culminam na escravidão contemporânea.
Mediante ao exposto, é urgente o efetivo combate à exploração desses indivíduos. Para isso, o Ministério do Trabalho deve organizar visitas aleatórias a locais de trabalho das grandes fazendas e empresas, para assim flagrar as situações ilegais. Além disso, após fazer os resgates, o Ministério deve abrigar, qualificar e empregar essas pessoas, para que consigam sair do ciclo da escravidão e conquistarem seus direitos. Com essas medidas tomadas, o Brasil conseguirá acabar com esse repugnante crime e efetivar os direitos do cidadão de acordo com a Constituição.