O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/09/2020

O livro “O Sol é para Todos”, escrito por Harper Lee, aborda sobre a sociedade sulista dos Estados Unidos, em um contexto pós escravidão. Nesse cenário, as pessoas continuam colocando os negros e seus descendentes em situação de trabalho análogo ao qual viviam anteriormente. Infelizmente, fora da ficção e no Brasil, as camadas menos favorecidas também são colocadas em situações desumanas para trabalharem. Certamente, isso é um reflexo dos trezentos anos de escravidão no país, associado à falta de averiguação dos postos de trabalho pelo Estado.

Antes de tudo, vale ressaltar que essa exploração trabalhista tem uma de suas raízes no processo de abolição da escravatura. Após três séculos de luta, em 1888 a escravidão brasileira não era mais legalizada. Todavia, os libertos não tiveram nenhum apoio e nem aceitação do corpo social. Assim, foram obrigados a adquirirem qualquer tipo de emprego, em condições insalubres, para sobreviverem. De forma semelhante, os imigrantes que chegaram no país nessa época para suprirem as necessidades dos senhores de terra, se surpreenderam negativamente com o que encontraram e também foram submetidos a várias explorações.

Consequentemente, isso perdura os anos e pouco mudou. Apesar do avanço da luta trabalhista e da consolidações de leis que protegem o proletariado, no governo de Getúlio Vargas, as gestões seguintes diminuíram muitos desses direitos. Atualmente, verifica-se o estado desumano de serviço vivenciado por imigrantes em confecções na região da grande São Paulo, e de brasileiros em fazendas na  região Norte e Nordeste do país, onde os indivíduos tem como única forma de pagamento refeições e lugares para dormir.

Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o problema. É fundamental que o Ministério do Trabalho faça uma parceria com o Ministério da Cidadania e promovam uma fiscalização mais rígida sobre às condições de trabalho no Brasil. Tal ato ocorreria por meio da criação de postos de denúncias regionais em cada estado brasileiro, visando a averiguação dos lugares de expediente e a punição dos chefes que empregam os sujeitos em situações não próprias. Dessa forma, haveria o combate ao trabalho escravo, livrando o país de um dos resquícios de seu passado escravocrata, e situações como a de “O sol é para Todos” não ocorreriam mais.