O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 19/09/2020
No século XIX, o filósofo e sociólogo Karl Marx dedicou grande parte de sua vida ao estudo da exploração do trabalhador e suas relações de vinculação com o empregador. Nesse estudo, o pensador concluiu que a falta de um governo voltado, exclusivamente, ao interesse das camadas populares e a falta de fiscalização das relações trabalhistas tornam a sociedade desigual e injusta. Cerca de 200 anos depois, a realidade vista no Brasil se assemelha muito aos ideais de Marx. Devido a ausência de representatividade política da população mais carente e a ausência de fiscalização do trabalho, principalmente no meio rural, surgiu-se na sociedade brasileira situações de exploração intensa do empregado, em formas análogas a escravidão.
Inicialmente, de acordo com o Índice Global de Escravidão, o Brasil tem atualmente cerca de 370 mil escravos modernos, sendo 87 por cento desse total, advindo do meio rural. Essa pesquisa demonstra que, em regiões remotas, em que o Estado não consegue uma fiscalização eficiente, de maneira a garantir que as leis estão sendo, devidamente, respeitadas, a exploração e a escravidão moderna emergem. Nesse sentido, proprietários rurais aproveitam dessa impunidade para explorar pessoas com péssimas condições financeiras, que vendem sua força de trabalho e sua liberdade para terem condições mínimas de sobrevivência.
Além disso, outro agravante dessa escravidão velada, é a ausência de representatividade desse grupo social nos poderes legislativo e executivo, que defendam as propostas dessa parcela, muitas vezes, esquecida da população. Nessa perspectiva, faz-se um paralelo com a ideia postulada por Jean-Jacques Rousseau, filósofo iluminista precursor da Revolução Francesa, de que a democracia representativa é estruturada quando o poder emana do povo. Dessa maneira, o filósofo propõe que a única forma de garantirmos igualdade social é por meio de lideranças políticas que atendam os anseios de todas as camadas populares. Nesse aspecto, a negligência do estado e a inexistência de políticos no Brasil preocupados com a questão da escravidão e da marginalização dessa população carente, determina a condição escravocrata e a desigualdade social crescente na comunidade brasileira.
Destarte, são necessárias medidas que minimizem o problema da escravidão moderna no Brasil. Portanto, o Ministério do Trabalho deve, conjuntamente com a Polícia Federal, estabelecer órgãos públicos direcionados, unicamente, ao combate e identificação de possíveis práticas de trabalho escravo no meio rural e nas cidades. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover medidas socioeducativas em escolas e nas redes sociais sobre a importância do voto consciente nas eleições. Logo, a fiscalização e representação política aumentariam, e a escravidão moderna seria combatida.