O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Nordestinos escravizados em plantações de cana. Crianças e o trabalho forçado nas indústrias têxteis. Faxineiras e caseiros não remunerados. O trabalho escravo acompanhou o Brasil por 200 anos na legalidade e constitui uma das maiores manchas na história do país, que ainda escuta ecoar o choro dos que foram submetidos aos grilhões do labor forçado. Mesmo sendo um símbolo tão forte de brutalidade e injustiça, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo é uma realidade tanto no campo quanto nas indústrias, favorecido pela fraca fiscalização, somada à herança de uma mentalidade retrógrada, e sendo seu fim uma responsabilidade de todos os brasileiros.

A maior causa desse comportamento antiético é a manutenção de muitos aspectos culturais que vigoravam no período escravagista. A proclamação da independência ou da república são grandes provas de que as mudanças políticas no país foram majoritariamente arquitetadas pela elite da época, não sendo acompanhadas de reformas sociais e fadando a população marginalizada à obsolescência. É justamente essa parcela da nação a vulnerável ao trabalho escravo e, subjugada pela miséria e pela fome, não lhe restam muitas opções além de recorrer a um emprego cuja remuneração é incerta.

Não é, contudo, só cultural a causa desse cenário de injustiça, sendo falta de proatividade e  pobre fiscalização do Estado muito favoráveis a esse tipo de trabalho. O foco governamental em assuntos mais chamativos tais quais os incêndios no Pantanal ou a pandemia de coronavírus corroboram o esquecimento de milhares de homens, mulheres e crianças submetidos à insalubridade do labor análogo à escravidão. Somado à ganância e incessante busca pelo maior lucro inerentes ao mundo capitalista, esse descaso estatal em relação a esses trabalhadores compõe uma cena caótica.

Dessa forma, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo é um fato social anômico a ser combatido pelo esforço conjunto de população e Estado. Para sanar esse problema, cabe ao governo intensificar a fiscalização de fábricas e fazendas, implantando severas multas aos empregadores adeptos a essa modalidade de trabalho; às escolas, ensinar sobre os horrores da escravidão para a desestruturar a mentalidade herdada dessa época e, à população, conscientizar-se dos prejuízos causados por tal tipo de labor. Sendo essas medidas tomadas, poder-se-á construir um Brasil mais justo e livre dessa forma tão brutal e desumana de trabalho.