O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Apesar de a abolição da escravatura ter acontecido em 1888, ainda existem muitos desafios para sua real concretização, uma vez que formas de trabalho análogos a escravidão ainda participam da sociedade brasileira. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país retrata essa situação, com um grande déficit no setor educacional, no qual os menos favorecidos são explorados das mais diversas formas, desde baixíssimos salários até condições desumanas de trabalho. A desigualdade social influencia, amplamente, na manutenção dessas estruturas. Dessa maneira, há uma realidade preocupante que necessita de mudanças.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 90% dos trabalhadores resgatados da escravidão vem de municípios com baixos IDH. Tal dado reflete que a vulnerabilidade social não só fomenta o trabalho escravo contemporâneo como também promove sua permanência, já que falta, para maior parte dos indivíduos, uma formação qualificada– indispensável para o desenvolvimento da região. Nesse sentido, maior equidade na educação poderia reduzir a exploração do trabalho presente em diversos setores.                                                                                                                  Na frase “Age de tal forma que a máxima de sua razão seja lei universal”, o filósofo Immanuel Kant reflete a importância da igualdade entre os cidadãos e a de cada indivíduo pensar no coletivo. Isso não ocorre quando pessoas subordinam outras, inclusive crianças e adolescentes, a enfrentar péssimas situações para ter uma mísera renda. No Brasil, a indústria têxtil e o trabalho rural destacam-se nessa conjuntura, este concentra-se nas expansões agrícolas e aquela praticada até por transnacionais, que faturam milhões. Assim, existe grande diferença no tratamento entre as pessoas, um paradoxo à sociedade democrática.                                                                                                                                            Diante de tal perspectiva, torna-se evidente o trabalho escravo contemporâneo e seus desafios. Assim, cabe ao Governo, especialmente ao Ministério da Educação, a promoção de maior igualdade entre as classes e qualificação, por meio de disciplinas específicas, para uma boa formação profissional, a fim de reduzir a vulnerabilidade social e as consequente submissão dos trabalhadores explorados. Também a maior necessidade de fiscalização das fábricas de tecido e das áreas rurais, para o recolhimento de indivíduos subordinados e formação de uma sociedade mais justa.