O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

O antropólogo e escritor Darcy Ribeiro afirmara que o Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança que torna a classe dominante enferma de desigualdade e de descaso. Diante dessa análise, é inegável apontar o trabalho escravo contemporâneo como produto de uma sociedade divergente e desatenta aos impasses dirigidos por tal prática, visto que o trabalho escravo carrega consigo várias problemáticas interligadas como o analfabetismo e o trabalho informal, prejudica toda a nação e fere os mais importantes direitos dos cidadãos.

Primeiramente, investigações da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP) mostraram aproximadamente 50 mil trabalhadores brasileiros resgatados em condições análogas à escravidão nas últimas décadas. Destes, 95% sendo homens jovens de baixa escolaridade, 33% analfabetos enquanto apenas 39% com estudos até o 5º ano. Logo, a evasão escolar se mostra paralela aos casos de trabalho escravo, muitas vezes procurado por falta de melhores opções pelos indivíduos, que acabam por aceitar uma vida mal remunerada quando poderiam ocupar vagas de empregos dignos.

Simultaneamente, resultados obtidos pela Secretaria Especial da Previdência e Trabalho, órgão vinculado ao Ministério da Economia e divulgadas no portal Agência Brasil revelam que 45% dos trabalhadores maiores de 18 anos resgatados de laboração submissa nunca possuíram um emprego formal antes da data do resgate e 57% tiveram nenhuma ou apenas uma admissão no mercado de trabalho formal. Esta pesquisa prova que os índices de emprego informal e até mesmo desemprego se mostram totalmente relacionados com o trabalho escravo no território brasileiro, criando um cenário cada vez mais conflitante e desigual.

Finalmente, diante dos dados citados, a solução para tal estorvo se mostra crucial a fim de tornar as atitudes do homem compatíveis com o estado democrático de direito em que vive e acredita. O Ministério da economia junto ao Ministério do trabalho devem implantar melhores medidas para todos os cidadãos com risco iminente ou em situação de escravidão laboral por meio de cursos profissionalizantes que atendam a esses indivíduos e programas para ajudar trabalhadores informais e desempregados como a matemática financeira para que eles se recusem a ter uma vida de pobreza e necessidade. Investir em propagandas para divulgar o disque denúncia em casos de laboração escrava e maiores penalidades é uma interessante alternativa. Deste modo, o Brasil pode ser o último país a abolir a escravidão, mas também pode ser o primeiro é deixar essa realidade somente na história.