O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
Durante toda a história de formação do território brasileiro, o trabalho escravo foi constantemente verificado e incentivado, uma vez que era a base da economia da colônia Lusitana. Com o passar dos anos, a criação de leis, as quais tornavam esse tipo de trabalho ilegal e amparavam as vítimas desses atos cresceu de maneira positiva, harmonizando o cenário nacional. Entretanto, a falta de fiscalização estatal adequada e a cultura preconceituosa do Brasil são responsáveis por manter esse cenário ainda ativo na contemporaneidade.
Primeiramente, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do problema em questão. Tal fato se associa ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual a função primordial do Estado é a de garantir os direitos fundamentais para cada cidadão, como a disponibilização de trabalhos dignos, os quais respeitem de maneira ética a integridade do empregado. Nesse sentido, a ausência de ações mais contundentes na fiscalização das condições laborais espalhadas em todo o país é refletido no aumento dos índices de exploração de inúmeros trabalhadores necessitados, os quais são silenciados por seus patrões.
Outrossim, evidencia-se a cultura discriminatória enraizada na história brasileira. Isso se relaciona ao conceito de Violência Simbólica, criado pelo filósofo Pierre Bourdieu para destacar que, toda violência, física ou psicológica, analisada em uma sociedade, é o reflexo de uma cultura negativa repassada por muitas gerações. Nesse viés, a violência vivenciada em lugares onde o trabalho análogo à escravidão ainda é realidade é o resultado de preconceitos étnicos, raciais ou de classe, os quais já faziam parte do dia a dia de grande parte dos residentes do Brasil colonial e foram transmitidos ao longo do tempo.
Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instituir investimentos direcionados ao melhoramento dos órgãos de fiscalização pública do Brasil, por meio do aumento no contingente policial, de maneira proporcional em cada Estado, e no cumprimento de normas éticas e sanitárias dos estabelecimentos em que existam atividades empregatícias, legalizando os locais os quais cumpram de maneira correta as exigências e punindo os responsáveis pelo sustento de práticas análogas à escravidão. Além disso, a criação de campanhas as quais incentivem o respeito mútuo no meio social é essencial para o bem-estar coletivo. Desse modo, a harmonia desejada a uma sociedade será fortalecida.