O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Turner, pintor inglês, retrata, na obra “O Navio Negreiro”, um cardume de tubarões, em volta de uma embarcação, responsáveis por devorarem os escravos jogados presos no mar. No entanto, as formas de exploração da mão de obra mudaram, haja vista a ilegalidade desses atos no presente, relacionados, mormente, a grandes empresas. Sob essa ótica, essas instituições priorizam a rentabilidade financeira frente a valores humanistas em uma sociedade, a qual preza pelo respeito aos bens sucedidos da dinâmica capitalista e não assegura direitos individuais. O Estado, com a ajuda da sociedade civil, fiscalizar rigorosamente crimes dessa natureza.

A priori, o homem, inserido no âmbito industrial, torna-se adepto de uma única maneira de agir. De acordo com Francis Bacon, filósofo empirista inglês, a alma do homem acredita em um único sistema de pensamento como uma verdade inquestionável, tal fato define o ídolo do teatro por obscurecer o intelecto humano e afastá-lo do método do conhecimento. Nessa seara, as empresas ao utilizar um labor escravo visam, apenas, aumentar seus lucros dentro de uma óptica capitalista com a privação da liberdade aos explorados. Esse fato implica uma diminuição do preço das mercadorias provenientes dese trabalho com menor custo de produção, o qual acarreta o maior consumo por parte do mercado. Desse modo, forma um ciclo vicioso com muitos reféns no processo, tanto a pessoa submetida à condição desumana de serviços quanto o cliente ignorante.

Vale ressaltar, ademais, a despreocupação do governo brasileiro em punir crimes de mão de obra ilegal, mesmo quando recebem denúncias. Segundo Pierre Bourdieu, filósofo francês, o indivíduo aumenta seu desempenho em um determinado campo social por meio de quatro capitais, entre eles o simbólico atrelado ao “status” e o financeiro relacionado ao dinheiro. Nesse sentido, as empresas possuem essas duas modalidades de capitais, responsáveis por justificar a subordinação do Estado que deixa de cumprir sua legislação por atribuir, de maneira incorreta, um maior poder às instituições. Por conseguinte, o descaso governamental tolhe cidadãos de usufruir uma melhor qualidade de vida.

Destarte, o escravo, na contemporaneidade, realiza seu labor, de forma compulsória, para satisfazer o objetivo da acumulação financeira. Para reverter essa situação, cabe ao poder público, por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia, criar um aplicativo capaz de denunciar a presença da mão de obra explorada para assim disseminar a informação na rede com o fito de mitigar possíveis corrupções do Estado. Além disso, é mister a sociedade civil alertar-se a esse mecanismo inovador para identificar empresas criminosas e deixar de comprar produtos dela como forma de puni-lá financeiramente como método educacional para incentivar o fim desse ato, presente desde a obra romântica de Turner.