O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Um binômio argumentativo é fundamental ao se refletir sobre o trabalho escravo no Brasil contemporâneo: mentalidade retrógrada dos empregadores e a baixa fiscalização do Estado. A partir da realidade apresentada, que deve ser mudada, é mister a reestruturação do quadro.

De início, no que se refere ao trabalho escravo no Brasil atual, conhece-se um dos motivos de sua manutenção, a mentalidade antiga dos patrões. Monteiro Lobato, renomado autor brasileiro, no conto “A Negrinha”, narra a história de uma criança negra que vive com uma senhora branca, ex-dona de escravos, que a maltrata constantemente, por não aceitar a condição de liberdade da jovem. De maneira análoga, na realidade hodierna, é comum ver empregadores que, levados por uma mentalidade preconceituosa e racista, impõe aos seus funcionários, de maioria afrodescendente, jornadas exaustivas de trabalho, dificuldade de acesso à banheiro ou água potável, salários irrisórios, entre outros, por não identificar naquela pessoa, um trabalhador digno de direitos básicos. Logo, é necessário modificar tal mentalidade.

Além disso, cabe ressaltar a baixa fiscalização do Estado como outro fator preponderante para o trabalho escravo no Brasil contemporâneo. De acordo com o jornal O Globo, em 2012, foram encontrados em São Paulo, mais de 10 venezuelanos trabalhando em regime análogo à escravidão, entre eles menores de idade e um jovem com 18 anos recém completos, costurando peças para o vestuário de uma famosa grife de moda internacional. A partir da notícia veículada, observa-se que muitos outros casos como esse acontecem no país, por causa da ineficiente fiscalização governamental, à respeito da criação de novos postos de trabalho, que funcionam, muitas vezes, sem a devida concessão. Portanto, é primordial uma melhor verificação por parte do Governo.

Sendo assim, nota-se a mentalidade retrógrada dos empregados e a baixa fiscalização governamental como razões para a existência do trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Diante disso, a sociedade civil deve se autoconscientizar a respeito da necessidade da mudança de pensamentos antigos carregados de discriminação por meio debates, no ambiente familiar e no mercado de trabalho, a fim de garantir os direitos trabalhistas a todos. Ademais, o Ministério do trabalho deve melhorar a sua fiscalização nos postos de trabalho, novos e antigos, por intermédio de consultas periódicas, junto com a Polícia Federal, para averiguação das condições apresentadas no local, visando salvaguardar a saúde e o respeito aos funcionários presentes no espaço.