O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Na música do cantor brasileiro Tim maia há o seguinte trecho : “E na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri”. Baseado nesse contexto musical, observa-se a desigualdade social presente no trabalho escravo tupiniquim contemporâneo. Nesse sentido, a desarmonia contida na canção é evidenciada ora em função da ausência de uma efetivação de direitos naturais humanos, ora em virtude da escassez de empatia nesse âmbito. Por essa razão, é necessário discorrer sobre as causas e desdobramentos desse tema.

Em primeira análise, destaca-se que a falta da prática efetiva de direitos fundamentais a uma parcela da sociedade corrobora bastante a esse embate. Uma vez que, o trabalho escravo possui um viés de violência e dominação que em períodos pretéritos e até nos dias atuais, eventualmente é voltado a indivíduos de cor de pele negra, os quais, nesse cenário ainda sofrem ínterins de discriminação racial, aferindo, a exemplo, um dos principais direitos e artigos da “Constituição de 1988” que diz respeito a : “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, etc..” como as ocorrências frequentes de tortura doméstica a essas pessoas em seu trabalho, em especial mulheres e crianças negras. Ademais, outro fator que influencia essa problemática é que, de acordo com a máxima do teórico social John Locke, em seu conceito de “condição natural humana”, este cita que o homem nasce dotado de direitos naturais (vida, liberdade e propriedade). No entanto, isso não se conclui hodiernamente, no que se refere ao aspecto de liberdade, pois, muitos cidadãos, por discrepâncias raciais sofrem dessa opressão, em empregos de longa jornada,  ou prisão domiciliar e condições ruins.

Em segunda análise, é imperioso ressaltar que a questão do trabalho escravo no Brasil está relacionada, também,  à precariedade de empatia na sociedade. Já que, sem essa, vários indivíduos são violentados e mau tratados em seus locais de trabalho, em função da desumanização praticada por patrões e donos de meio de mando laborais ao não se sensibilizar com os trabalhadores diversos. Uma das competências essenciais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aborda o exercício da empatia com a diversidade. Entretanto, isso não se efetiva no cenário atual, devido a essas repugnâncias pautadas frequentemente, a exemplo, da inconsciência humana e critérios raciais.

Evidencia-se, portanto, que cabe ao Governo Legislativo criar leis as quais viabilizem de forma efetiva e imperativa, mandatos com discursos reforçadores dos direitos de igualdade humana se destoando de critérios e preconceitos, juntamente a estímulos à prática da empatia no tecido social. Por intermédio de organizações legais. A fim de que haja uma orientação integral acerca da equidade coletiva e mitigação mobilizada do trabalho escravo. E, quiçá, não ocorra mais desarmonias como na canção do Tim Maia.