O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
Na Antiguidade, as cidades gregas e o Império Romano sustentavam sua grandiosidade no modo de produção escravista, o qual era a base dessas sociedades. Nesse sistema, a propriedade privada se sobressaia perante o Estado, desse modo as classes altas da sociedade atuavam somente em âmbito político ou comercial, os escravos realizavam diversos trabalhos manuais e estavam totalmente subordinados a classe dominante. Nesse sentido, faz-se uma relação com a escravidão moderna presente no Brasil, mesmo constando como crime na constituição, é encontrada em grandes empresas e marcas, onde pessoas que ocupam cargos baixos dentro dessas instituições são submetidas a jornadas de trabalho exaustivas e também, condições precárias de trabalho, sendo subordinadas da hierarquia assim como no sistema greco-romano.
A priori, pode-se citar Aristóteles quando este coloca que o objetivo da política é preservar o respeito entre os cidadãos, alegando uma insuficiência legislativa, já que a lei condena a escravidão, porém, esta é encontrada facilmente no país, como o caso da Zara, que virou notícia em todo país no ano de 2011, ou jornadas de trabalhas exaustivas que culminam na morte de pessoas. No entanto, em ambos os casos destaca-se que a arrecadação de capital não para, demonstrando como atinge pessoas que ocupam cargos baixos na empresa, que vivem em situação de pobreza, já que produzem em massa e a renda fica concentrada nos altos cargos das respectivas indústrias, sendo assim, a multa que tomam pela lei não se compara com o lucro e a vantagem da produção com mão de obra barata.
A posteriori, é notório destacar como esses casos de escravidão expostos pela mídia se tornaram algo normal, principalmente quando se trata de jornadas exaustivas de trabalho. No Japão, por exemplo, há uma expressão que denomina casos de “morte de tanto trabalhar”, karoshi, as famílias das vítimas são indenizadas em até 20 mil dólares por ano, segundo o site da BBC, os casos de karoshi estão em 10 mil por ano. Desse modo, pode-se notar uma certa banalização do assunto pela sociedade, já que se tornou tão comum a ponto de existir um sistema que cuida apenas desse tipo de morte e como citado anteriormente, mesmo com a exposição da mídia ainda sim há pessoas que continuam comprando sem se importar em estarem colaborando com esse sistema escravista.
Em suma, essa problemática cabe não somente ao sistema judiciário, ao implementar uma lei que puna empresas devidamente, de modo que a multa seja maior que o lucro de manter esse sistema, mas também a sociedade que precisa se conscientizar que ao continuar comprando em lojas e empresas assim estão colaborando diretamente com a escravidão, é necessário dar mais atenção na mídia para estes casos, afim de nos distanciarmos de uma sociedade de base escravista.