O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/10/2020
No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin trabalha em uma linha de produção industrial e é submetido à condições de trabalho degradantes, com longas jornadas e baixa remuneração. Fora das telas, no Brasil contemporâneo, as condições de trabalho evidenciadas no filme estão presentes no cotidiano de diversos brasileiros, submetidos ao trabalho escravo, seja pela contração de dívidas com o empregador, seja pela restrição de suas liberdade de locomoção e de manifestação. Assim, torna-se necessária a análise dos fatores históricos e sociais que levaram à perpetuação do trabalho escravo nos dias atuais.
Primeiramente, é preciso destacar a origem escavocrata da sociedade brasileira. Durante a colonização do território, era comum o aprisionamento de indígenas nativos e a comercialização de negros africanos para a execução de trabalhos compulsório. Mesmo com a implantação da Lei Áurea em 1888, os reflexos de mais de 400 anos de escravidão ainda são visíveis no uso do trabalho escravo de diversos indivíduos, principalmente em zonas rurais e em indústrias com linhas de produção. Nesse sentido, nota-se que um dos principais motivos para a persistência da escravidão é a ineficiência da fiscalização do governo para assegurar os direitos dos trabalhadores e para punir empresas e empregadores que desrespeitem a lei.
Ademais, a falta de acesso à educação também é um fator que impede a extinção da escravidão no Brasil. De acordo com o sociólogo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Ou seja, a educação é a ferramenta fundamental para a resolução dessa problemática, pois permite que os estudantes atinjam maiores remunerações no futuro e não procurem emprego em locais de trabalho degradantes, uma vez que os principais alvos daqueles que procuram mão de obra escrava são pessoas em situação de miséria. Dessa maneira, o acesso ao estudo possibilitaria o esgotamento da vulnerabilidade de trabalhadores e a procura por empregos que ofereçam melhores condições.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse do trabalho escravo no Brasil contemporâneo. O ministério do trabalho, em conjunto com o ministério da justiça, deve ampliar a fiscalização de empresas e fazendas por meio da ampliação do número de agentes fiscalizadores. Além disso, o ministério da educação deve promover a instalação de escolas em áreas de maior vulnerabilidade social e providenciar transporte e alimentação para que crianças e jovens possam ter acesso à educação. Com essas medidas, espera-se a resolução dessa problemática de maneira precisa e democrática.