O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/04/2021

De acordo com o portal de notícias “Uol”, uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro virou manchete por manter sua empregada doméstica em situação análoga à escravidão. Dessa forma, é evidente que o trabalho escravo no Brasil se mantêm atual, ferindo o direito a liberdade, previsto no artigo V da constituição federal. Sob tal ótica, é possível identificar os resquícios da cultura escravocrata — a qual outróra foi norma na socidade brasileira — e o egoísmo social como precursores desse mal.

Diante desse cenário, é evidente a influência da tradição escravista na manutenção do trabalho cativo hodierno. Assim, pode-se observar o quartinho de empregada, elemento arquitetônico exclusivo do Brasil, o qual é derivado do costume colonial de ter as atividades domésticas realizadas por criados. Diante disso, a presença deste determina, mesmo que de forma comedida, o desejo da sociedade pela manutenção desse tipo de relação trabalhista desequilibrada, uma vez que o empregador não só é patrão mas também senhorio. Com isso, segundo o jornal ‘’O Globo’’, cerca de duas mil pessoas são indentificadas exercendo trabalho análogo à escravidão por ano, precisando de intervenções.

Ademais, a omissão dos cidadões agrava essa problemática, uma vez que a comunidade é apática aos problemas sociais. À vista disso, segundo o filósofo zygmunt Bauman, é notória a presença do egoísmo na sociedade contemporânia, prejudicando o engajamento popular. Por isso, a falta de solidariedade corrobora com a permanência de trabalhadores em situação similar à escravidão, já que indivíduos egoístas são mais complacentes com a problemática, hesitando em denunciar. Dessarte, tal situação permite a repetição de  casos como o da professora da UFRJ, cujo os vizinhos, apáticos, demoraram mais de quatro décadas para denunciar o caso, necessitando de mudanças.

Portanto, é notória a necessidade de atenuar a cultura escravista e aumentar o autruísmo nas relações sociais brasileiras. Para tal, o Ministério da Educação deve promover palestras, por meio dos professores - principais responsáveis pelas mudanças socioculturais. Tais reuniões irão identificar os hábitos relacionados ao regime escravocrata, ressaltando suas implicações na manutenção do trabalho forçado. Além disso, o Ministério do Trabalho deve, por intermédio da mídia, promover propagandas que conscientizem a população. Desse modo, essas publicações devem evidenciar os horrores que tais indíviduos são submetidos, minimizando a apatia nesse âmbito. Por fim, essas ações irão reduzir a ocorrência do trabalho escravo no Brasil contemporâneo.