O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 15/10/2020
Segundo pesquisa realizada pela Fundação Walk Free, no ano de 2016, cerca de 45,8 milhões de pessoas, no mundo, vivem em situação de escravidão moderna. No Brasil, o trabalho escravo, em que pese a Lei Áurea, sobrevive até os dias atuais. Isto porque, a sociedade brasileira ainda é completamente escravocrata e patrimonialista, além de beber da fonte de um racismo estrutural inadmitido. Ademais, cumpre ressaltar que, em muitas oportunidades, em terras tupiniquins, a escravidão vem disfarçada por meio de soldos irrisórios, ou de artimanhas, a fim de se esquivar do recolhimento de contribuições previdenciárias e fundiárias e do pagamento de demais verbas trabalhistas. Por fim, resta evidente que é preciso que o Poder Público crie formas de fiscalizar as condições de trabalho, no país, aplicando a pena do art. 149, do Código Penal, a quem cometer o crime de submeter alguém a um regime de labor análogo a escravidão.
Inicialmente, urge repisar que a sociedade brasileira tem como estrutura fundamental pensamentos racistas e escravocratas. Uma vez que, o modo de produção escravista, que tinha como mão de obra o negro e o índio, foi a base econômica e social do Brasil durante 388 anos e deixou muitas influências. Neste sentido, vale destacar que, nos dias atuais, segundo pesquisa da Fundação Walk Free, cerca de 161,1 mil pessoas são escravizadas no Brasil, a maioria negros e nordestinos. Ou seja, a Lei Áurea, de 1888, não acabou com o instinto de escravização do brasileiro preto e pobre.
Outrossim, cumpre esclarecer que, em muitas residências brasileiras, uma nova forma de escravização vem surgindo, qual seja a escravização da diarista. Neste diapasão, vale ressaltar que patrões, na busca de se esquivar de encargos trabalhistas, fundiários e previdenciários, evitam assinar as Carteiras de Trabalho de suas secretarias do lar e pagam somente baixos valores pelas diárias laboradas. Ainda neste caminho, urge trazer a baila caso, que ficou muito conhecido no Brasil, no ano de 2020, no qual foi descoberto que a empregada doméstica de uma alta executiva da Avon laborava em situação semelhante a escravidão. Dessa forma, fica evidente que, assim como seus antepassados escravizados, as diaristas brasileiras, atualmente, não possuem qualquer garantia laboral.
Diante do exposto, é de clareza solar que o trabalho escravo ainda persiste no Brasil contemporâneo. Por conseguinte, é preciso que, imediatamente, os Governos Federal e Estadual, por meio das Polícias Federal, Militar e Civil, e que o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho fiscalizem todos os postos de trabalho do Brasil, criando canais para denúncia de situações de labor análogas a escravidão, a fim de que se puna, criminalmente e administrativamente (aplicação de multas pesadas) os responsáveis por tal ato vil, inibindo-os.