O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/10/2020

Em 1888, Castro Alves escreveu “Navio Negreiro”, descrevendo a situação horrenda dos escravos africanos e enfatizando o sofrimento. Porém, na atual conjuntura, parte dessa atrocidade persiste, visto que, embora não exista mais grilhões e correntes, o trabalho escravo, no século XXI, ainda atinge milhares de pessoas em todo o território nacional. Portanto, é indubitável analisar essa intempérie que se encontra estruturada pelo vexatório índice de analfabetismo e pelas condições vulneráveis de alguns imigrantes.

Deve-se, inicialmente, citar que Nelson Mandela, pacifista sul-africano, afirmou que embora haja injustiças no mundo, a educação é um dos fatores capaz de combatê-las. Desse modo, é imprescindível citar que, no Brasil hodierno existem pessoas analfabetas, e esse é um fator que acaba por deixá-las mais suscetíveis ao modo de trabalho análogo à escravidão, pelo fato de necessitarem de uma fonte de renda para o sustento das necessidades básicas familiares. Essa problemática vai de encontro ao que o pacifista supradito afirmava e também fere a Constituição de 1888, a qual explicita que nenhum cidadão deve ser submetido a situações deprimentes de trabalho.

Além disso, cabe ressaltar que o filósofo Thomas Hobbes sancionou a ideia de que o homem é capaz de cometer atrocidades contra indivíduos de sua própria espécie. Essa afirmativa faz analogia aos escravagistas modernos, os quais aproveitam o estado de vulnerabilidade dos imigrantes que, por chegarem ao país sem conhecer as leis que regem a democracia, são recrutados para labuta de exploração. Dessa forma, é inquestionável dizer que o Estado democrático de direito aos estrangeiros deve ser melhor exposto, de modo que os imigrantes tomem ciência de todos os direitos para que não sejam vítimas de nenhum tipo de situação deprimente.

Tendo em vista os argumentos apresentados é dever dos órgãos competentes sanar essa intempérie que persiste no Brasil contemporâneo. Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho e do Emprego realizar fiscalizações continuamente pelos estados brasileiros, por meio de parcerias com ONGs estatais que visam o bem-estar dos trabalhadores que aqui residem, tendo como objetivo por fim a incidência de casos de trabalho escravo - colocando em pauta o que está ratificado na Constituição de 88. Além disso, a mídia, por meio de ficções engajadas, deve abordar a questão instigando mais denúncias - cumprindo assim o seu papel social - objetivando deixar explícito as formas de trabalho escravo para que as pessoas possam reconhecer se sofrem com essa atrocidade mais facilmente.