O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/10/2020
O filósofo francês, Sartre, defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão do trabalho escravo. Dessa forma, observa-se que o trabalho escravo reflete um cenário desafiador, seja em virtude pela falta de prevenção por meio da educação, seja pela falta de punições adequadas.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho, a consolidação de uma solução, falta de prevenção, por meio da educação, e de informações. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Apesar do trabalho forçado, a jornada exaustiva, servidão por dividas ou condições degradantes serem configuradas como trabalho escravo, mais de 27% da população brasileira diz não saber o que é trabalho escravo, segundo pesquisa realizada pela Ipsos. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de punições adequadas. Segundo levantamento do Ministério do Trabalho, mais de 50 mil trabalhadores foram resgatados da escravidão entre 1995 e 2016. Sob essa lógica, o imperativo categórico, de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange a questão do trabalho escravo há uma lacuna no deve moral quanto ao exercício da denúncia e repressão.
Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que incluam a promoção de informações assim como é indispensável que haja punições menos brandas, a fim de cobrir essa violação de Direitos Humanos. Tais ações também podem incluir a assistência a vítimas, incluindo alojamento temporário. E possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população. Talvez, assim, seja possível construir um pais de que Pierre Bourdieu pudesse se orgulhar.