O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 18/10/2021
O autor Graciliano Ramos, em seu marcante livro Vidas Secas, destaca as precárias condições de vida na qual os retirantes são submetidos, bem como a intrínseca relação entre vulnerabilidade socioeconômica e exploração do trabalho. Nesse sentido, é retratada a condição exploratória do nordestino Fabiano, que é desumanizado e reduzido a uma condição de bicho, sendo remuneradamente mal pago e sujeito a longas jornadas de trabalho. Fora da ficção, é fato que o trabalho escravo contemporâneo no Brasil ainda é uma problemática existente e que necessita de mais atenção de todos os grupos sociais, uma vez que a fragilidade daqueles que são submetidos a essa questão reflete consequentemente na sociedade.
Em primeiro plano, é necessario ressaltar como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é imperativo trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, no qual é conceituada a ação comunicativa, esta consiste na capacidade do indivíduo de defender seus interesses e agir em prol da comunidade, demandando grande conhecimento prévio. Logo, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os indivíduos não possuam conhecimento da realidade que estão inseridos, eles não serão capazes de desfrutar do bem comum. Sendo assim, o cenário exploratório do trabalhador além de trazer consequências econômicas e até psicológicas para o indivíduo, também é causa da alienação do trabalhador.
Outrossim, é válido pontuar a ideia de modernidade líquida do estudioso Zygmunt Bauman que explicita a queda de atitudes éticas pela fluidez de valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Nesse contexto, infere-se que as relações estão se tornando cada vez menos sólidas na medida que o objetivo lucrativo é colocado em primeiro plano enquanto a situação do trabalhador é colocada à margem das necessidades de um trabalho decente - sendo esse aquele que garante carga horária adequada, condições corretas do ambiente de trabalho, entre outras. Assim, é necessária a mudança desse problema através da criação de medidas.
Posto isso, urge a ação do Governo Federal em criar mais acções de fiscalização, por meio da atuação em conjunto com a polícia federal, a fim de localizar lugares típicos onde a exploração ocorre -como lavouras - e promover a repressão daqueles que controlam esta exploração. É dever também das instituições escolares de lugares mais humildes incentivarem ao máximo a permanência do aluno no âmbito escolar, isso pode ser feito por meio do acionamento de recursos da Assistência social, com o fito de proporcional maior segurança social e evitar que futuramente eles possam ser vitimas de um trabalho exploratório. Só assim, será possível que os futuros Fabianos deixem de ser uma realidade.