O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/11/2020
Na saga “Harry Potter”, os elfos domésticos são tratados como escravos, não recebendo nada pelos seus serviços e sendo obrigados a fazer absolutamente tudo o que seus donos mandam. Não distante da ficção, no Brasil contemporâneo, infelizmente, ainda existe o trabalho análogo à escravidão. Cabe então a discussão sobre as causas e consequências da persistência dessa modalidade de trabalho.
Em primeiro plano, vale destacar que a conservação da cultura escravista brasileira colabora para que a escravidão continue presente na realidade do país. Segundo dados históricos, a escravatura foi abolida há mais de 130 anos, entretanto, mais de 2000 pessoas são libertadas todos os anos de condições análogas à escravidão no país, conforme publicado pelo G1. Nesse sentido, enquanto políticas públicas não forem aplicadas para alterar a mentalidade brasileira e pagar a dívida histórica com os descendentes de escravizados, o trabalho análogo à escravidão continuará existindo.
Além disso, cabe ressaltar que as consequências de manter o trabalho escravo é desastroso tanto para os trabalhadores quanto para a economia do país. Afinal, essas pessoas não conseguem se inserir no processo de globalização, como já afirmado por Bauman, ao conceituar “Refugo Humano”. E, além de desastrosa para a vida das vítimas, trás consequências, também, para o Estado, afinal, escravizados não possuem poder de compra, limitando o desenvolvimento econômico. Entende-se, então, que as consequências não prejudicam apenas os escravizados. Logo, para que a vida dos trabalhadores brasileiros seja mais digna que a dos elfos domésticos, o governo deve ampliar as possibilidades para a população mais vulnerável, por meio da ampliação de políticas públicas, como cotas universitárias e programas que possibilitem alimentação e moradia dessa parcela da população, resultando em uma vida justa para essas pessoas.