O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/11/2020

Os negros no Brasil foram libertos em 1888, com a assinatura da Lei Áurea. Entretanto, a escravidão não foi efetivamente abolida durante o Segundo Reinado e é possível observá-la ainda hoje, embora com características diferentes das apresentadas no Período Imperial. Logo, é importante debater sobre o trabalho escravo no Brasil contemporâneo.

Primeiramente, é preciso pontuar: a expansão da fronteira agrícola, que abrange os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, é responsável pela persistência da escravidão moderna. Isso porque nessa região ocorrem muitas disputas por terras e, nesses conflitos, grandes latifundiários roubam a propriedade de pequenos agricultores, por meio do uso de falsos documentos para alegar a posse. Assim, ao ter expropriada a sua fonte de renda e moradia, o trabalhador rural fica vulnerável à ação dos chamados gatos, que são contratados por fazendeiros para recrutar trabalhadores braçais e pagá-los pelos serviços. Todavia, o dinheiro não chega a quem deveria e, além de não serem pagos, os empregados são submetidos a condições degradantes de trabalho, como jornada exaustiva, falta de assistência médica e de alimentação adequada.

Por outro lado, o crescimento da “fast fashion” também agrava o problema. Esse termo define marcas responsáveis por levar a moda de forma mais rápida e acessível a quem não tem poder aquisitivo para comprar artigos de luxo. No entanto, a grande demanda por peças novas a todo momento exige muita mão de obra, o que leva algumas empresas a desrespeitar a legislação trabalhista para aumentar seus lucros. A rede de lojas “Forever 21”, por exemplo, foi multada em 2011 por manter em suas fábricas trabalhadores em condições análogas à escravidão. Por isso, é crucial a constante fiscalização dessas companhias.

Tendo em vista a necessidade do combate ao trabalho escravo no Brasil, é fundamental o Ministério da educação investir na profissionalização de pessoas de baixa renda. Isso por meio de cursos técnicos gratuitos e da disponibilização de livros e acesso a internet, a fim de retirar essas pessoas da vulnerabilidade socioeconômica. Apenas assim o trabalhador não precisará de acreditar em falsas promessas ou se submeter à falta de dignidade em sua profissão na esperança de obter melhores condições de vida.