O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 02/12/2020

Na obra “Operários” de Tarsila do Amaral,é retratada uma classe muito vulnerável e explorada, na época,que carrega no semblante feições extremamente cansadas e desesperançadas. Na contemporaneidade, a realidade pincelada pela artista retrata o quadro de muitos trabalhadores que sofrem, constantemente,com as péssimas condições de trabalho e têm, por conseguinte, sua força de trabalho explorada,reverberando o trabalho escravo na contemporaneidade. Esse cenário nefasto ocorre como subproduto da desigualdade social, o que gera consequentemente na atualidade a “uberização” do trabalho.

A princípio, com a Revolução Industrial, houve uma grande mudança nas relações sociais e nas relações de trabalho do indivíduo, que até então vivia ligado diretamente à terra. Mas a exploração e a desumanização do trabalho nunca deixou de ser uma realidade, apesar de ser um evento ultrapassado, as condições precárias e a exploração dos trabalhadores ainda são muito recorrentes. Nesse sentido, o sistema capitalista é selvagem, principalmente, no que diz respeito ao abuso laboral,sustentando-se na exploração e dominação da classe operária, no qual deseja-se a maximização dos lucros e os direitos trabalhistas são constantemente atacados.Sob essa ótica, as empresas se aproveitam da concepção cultural de hierarquização histórica e do protagonismo da desigualdade social, na qual o maior prejudicado é o elo mais fraco da relação - o trabalhador, rompendo com seus direitos legais assegurados pela Constituição Brasileira.

Ademais,a dinâmica do trabalho na atualidade é a exigência por uma mão de obra cada vez mais especializada,favorecendo a desigualdade social e permitindo que os trabalhadores que não se encaixam se submetam a trabalhos aquém da sua capacidade e dignidade,corroborando com o trabalho escravo no Brasil contemporâneo.De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possui cerca de 13 milhões de desempregados.Dessa forma,propicia a “uberização” excessiva do trabalho,a qual empregados de aplicativos sentem a necessidade de fazer jornadas de trabalho de até 24h por menos de um salário mínimo para sobreviver.Assim, demonstrando o viés do trabalho escravo na atualidade em conjunto com a ineficácia das leis.

É evidente,portanto,que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem mitigar condições de trabalho precarizado. Nesse viés,cabe Governo Federal, através do Ministério do Trabalho— órgão responsável por gerar,apoiar e vigiar as relações de trabalho— fornecer maior fiscalização quanto as condições adequadas de trabalho,a fim de combater a exploração do trabalho. Por meio do auxílio da Justiça,na promoção do protagonismo das leis trabalhistas na prática.