O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 08/12/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), é assegurado a todos o direito ao bem-estar e à liberdade de locomoção. Entretanto, o novo trabalho escravo, no Brasil, tolhe a dignidade humana por meio da subversão do respeito. Com base nesse viés, é imprescindível pontuar que esse cenário nefasto se dá por uma herança cultural, lamentavelmente, naturalizada na nação. Além de que a exploração do trabalho é uma questão consequente do lado perverso da globalização no sistema capitalista.

Nesse sentido, conforme a escritora Heloísa Starling, infelizmente, o processo de formação da sociedade brasileira deixou marcas antidemocráticas, como heranças culturais, que naturalizou o sistema de escravidão desde o período colonial. Dessa forma, apesar do alto desenvolvimento do aparato tecnológico no século XXI, ocorre uma involução social marcada pela presença da exploração da mão de obra humana e maus tratos da população submetida a esse mal. Tal questão, também, é um reflexo da individualidade, fator esse, limitante da sociedade,  que cultua  os indivíduos a não serem educados para pensar no próximo como um ser capaz, racional e dotado de direitos. Com isso, o trabalho escravo contemporâneo é, de modo lamentável, uma hereditariedade cruel e que, ao longo dos anos vai se aperfeiçoando para o seu disfarce em meio a alienação e subdesenvolvimento social.

Ademais, segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização, capacidade de espalhar a informação pelo mundo de maneira rápida e eficiente, também possui seu lado perverso. Assim, a escravidão desse século, no país, é uma característica da mais valia, sistema de exploração desumano, no qual, o lucro da classe dominante é a questão primordial. Dessa maneira, as atrocidades cometidas contra a população em sistema de escravidão, limita os direitos garantidos pela DUDH em consonância com a Constituição Federal de 1988 e tolhe a dignidade de viver bem e livremente.  Infelizmente, os resquícios do período colonial ainda estão presentes no Brasil, o que ratifica a involução social frente a evolução tecnológica.

Nota-se, então, que o sistema de trabalho escravo ainda é uma realidade na nação. Por isso, é necessário que a sociedade civil, agente socializador, exija do Estado nas esferas legislativa e executiva, que fiscalize e cumpra as leis asseguradas aos indivíduos. Tal questão deve ser realizada por intermédio de protestos públicos, denúncias e da conscientização popular pelo diálogo e peças teatrais que demonstrem a realidade da situação escrava do Brasil. Para que, assim, ocorra a efetivação dos direitos humanos, além da atenuação das heranças culturais perversas e do lado devastador e cruel da globalização.