O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/01/2021
No poema “O país que eu quero”, o escritor Guibson Medeiros retrata os anseios por uma nação melhor e mais equilibrada. Em oposição à literatura, a sociedade brasileira enfrenta momentos difíceis no que tange o trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Dessa forma, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude das questões históricas que permeiam o assunto e da injustiça praticada por esses empregadores, como principais agravantes da situação.
Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. Segundo o pensador Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o trabalho análogo à escravidão apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, fato que é observado nas péssimas condições em que, os trabalhadores são submetidos à situações cruéis e insalubres, recebendo – ou deixando de receber – salários meramente simbólicos, perdendo assim muitos de seus direitos básicos e trabalhistas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Ademais, é fundamental apontar a injustiça sofrida por esses trabalhadores como impulsionador do quadro no Brasil. Nessa perspectiva, Martin Luther King defende que a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar. Desse modo, tal tese é observada, à medida que, tais trabalhadores não possuem seus direitos garantidos, como salário, férias e proteções asseguradas à pessoa em uma relação de emprego. Assim, a prevalência do sentimento de injustiça circunda as questões análogas à escravidão no Brasil atual, incitando a discussão sobre os rumos que esse cenário acarreta na sociedade, sendo necessário resolver essa mazela social.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal apliquem as leis já existentes, de forma mais efetiva e severa para as empresas que praticam trabalho escravo, por meio dos tribunais de justiça existentes no país. Além disso, devem ser criados canais de “disque-denúncia” exclusivos, a fim de denunciar, de forma anônima, qualquer tentativa de opressão ao empregado, visando o aumento das fiscalizações nas empresas, por parte dos órgãos responsáveis, e o fim da cultura escravocrata existente, alcançando assim, os caminhos tão almejados por Guibson Medeiros em seus versos.