O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 15/01/2021
O Estado perfeito, de acordo com o filósofo grego Platão, seria aquele cujos governantes trabalhassem eticamente, visando beneficiar todos os cidadãos. Em conformidade com essas ideias, a Lei Áurea, elaborada pela princesa Isabel, filha do imperador Dom Pedro II, proibiu a escravidão no território brasileiro. Entretanto, mesmo no Brasil contemporâneo, casos de indivíduos que vivem em situação análoga à escravidão ainda podem ser vistos. Nesse contexto, emerge um problema em função de uma ineficiência legislativa e da mentalidade social.
Em primeiro plano, vale destacar que a pouca eficiência das leis já existentes contra a questão, é um evidente agravante para o problema. De acordo com a teoria do Contrato Social de John Locke, a sociedade é organizada de forma que indivíduos cedem parte da própria liberdade para que direitos lhes sejam garantidos pelo Estado. Porém, tal relação não é efetivada quando se trata do trabalho escravo no Brasil contemporâneo, visto que, problemas mantidos pelo governo, como a falta de fiscalização - principalmente em locais afastados dos grandes centros urbanos - e a escassez de campanhas de incentivo à denúncia desses atos, por exemplo, permitem que as leis existentes contra a questão sejam pouco eficazes.
Ademais, a forma pouco empática como a atual sociedade brasileira pensa, é uma evidente causa da problemática. Segundo a filósofa Lúcia Helena Galvão, os seres humanos superaram outros humanóides pré-históricos por terem desenvolvido a capacidade de cooperação, comunicação e empatia. Todavia, a persistência do trabalho escravo na atualidade está baseada em valores opostos aos citados pela filósofa, haja vista que essa atividade criminosa tem como base o egoísmo e o individualismo de todos os indivíduos que contribuem para a perpetuação do problema: os compradores - que têm consciência ou não buscam saber sobre a origem dos produtos originados por esse crime, e contribuem financeiramente com a atividade -, o governo - que mal fiscaliza e não dá o devido destaque para a questão -, e os responsáveis diretos - os quais submetem pessoas a condições de escravidão.
Dado o exposto, fica claro que uma intervenção se faz necessária. Para tal, cabe ao governo, em parceria com as principais emissoras de televisão - Como a Rede Globo e o SBT - criar campanhas publicitárias as quais abordem sobre a existência da escravidão na atualidade, bem como sobre as maneiras de identificar e de combater esse mal. A campanha deve ser feita por meio de vídeos que serão exibidos durante os intervalos comerciais nos horários de maior audiência de cada emissora. Tudo isso para que a população se conscientize sobre o problema e denuncie esse crime, de forma que as leis existentes cheguem até mesmo em locais fora dos centros urbanos.