O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/01/2021
Há mais de 130 anos, a cada 13 de maio, brasileiros celembram a abolição de uma das práticas mais abomináveis da história humana: a escravidão. Entretanto, a felicidade contida nessa data vem acompanhada pela infeliz constatação da persistência do trabalho escravo no Brasil. Nesse contexto, do campo às cidades, grupos motivados pela maximização de lucros diante da competitividade no mercado globalizado se aproveitam da vulnerabilidade dos trabalhadores para submetê-los a condições degradantes, as quais devem ser veementemente combatidas.
Primeiramente, vale destacar a influência do modelo capitalista aliado à globalização como fator preponderante para a continuidade dessa problemática. Nesse viés, com o intuito de tornar seus produtos mais lucrativos no mercado, empresas contratam serviços que reduzem ao máximo os custos com mão de obra e, para isso, utilizam a escravidão humana. Prova disso, foi a descoberta, em 2011, de 52 trabalhadores sujeitos a uma situação precária em confeccões filiadas da empresa Zara em São Paulo. Assim, é evidente que para aumentar a produtividade de seus produtos, grupos optam pelo lucro em detrimento da dignidade humana.
Outro aspecto que contribui para essa conjuntura é a falta de instrução e a pobreza das vítmas dessa prática intolerável. Nesse sentido, de acordo com pesquisa divulgada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2011, o perfil de trabalhadores escravizados é formado em sua maioria por analfabetos, que constituem mais de 60% do total analisado. Assim, indivíduos que não tiveram oportunidades de ser empregados por outros meios, devido à sua baixa escolaridade, aceitam a exploração, muitas vezes em troca de salários irrisórios, visando seu sustento, que, entretanto, lhes custa sua dignidade e sua liberdade.
Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas a fim de extinguir o trabalho escravo no Brasil. Para isso, o Ministério do Trabalho e do Emprego deve, por meio de verbas orçamentárias, aumentar a fiscalização em locais onde essa prática é mais comum- como no Pará e em São Paulo- além de restringir incentivos fiscais a empresas vinculadas a escravização do trabalhador, de maneira a impedir que essa exploração seja realizada no território brasileiro. Ademais, o Ministério da Educação deve facilitar o ingresso de todos os indivíduos a educação de qualidade através da expansão de colégios técnicos que ofereçam tanto o ensino básico quanto profissionalizante.