O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 23/02/2021
Em 2020, o programa do Fantástico mostrou o primeiro natal em família de uma mulher, Madalena Gordiano, após ser liberta do trabalho escravo doméstico. Nesse contexto, o caso da Madalena, infelizmente, não é exclusividade, pois, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), estima-se que, pelo mundo, 25 milhões de pessoas encontrem-se em trabalhos escravos ou análogos ao mesmo. Essa realidade atinge o Brasil de diversas formas, seja pela exploração de mão de obra têxtil, doméstica, sexual e entre outras, isso ocorre em virtude não só do abuso exercido pelas grandes empresas ou pessoas em condições superiores, mas também pela desinformação da sociedade.
Nessa linha de raciocínio, cabe analisar o quadro das fazendas criminosas, que a fim de baratear a mão de obra, exercem esse tipo de infração. No Brasil, o trabalho escravo pode se caracterizar na chamada “Servidão por dívidas”, no que consiste no trabalhador que é feito de refém mediante a uma dívida que não poderá ser sanada, pois, em muitos casos, quando há salário, é insuficiente para custear a pendência. Dessa maneira, segundo o coordenador especial de Fiscalização Móvel do Ministério de Trabalho e Emprego, Marcelo Campos, pessoas encarregadas por recrutar trabalhadores em cidades pobres adiantam dinheiro para que os trabalhadores possam custear as despesas com a viagem, adiantamento esse que é colocado na conta do trabalhador posteriormente.
Além disso, é importante exaltar a desinformação social como um catalisador do problema. Sob essa ótica, esse crime pode estar mais presente do que se imagina, nos detalhes, por exemplo: familiares que recebem algum parente na casa e, em troca, o visitante cuida dos afazeres da casa, cargas horários extras não remuneradas, salários abaixo do mínimo, condições precárias no ambiente de trabalho, falta de segurança e auxílios, esses cenários podem ser considerados casos de abuso trabalhista e dependo da intensidade, configura o trabalho escravo. Dessa forma, consoante a filósofa Hannah Arent, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Assim, muitas as pessoas que presenciam tal crime ou se encontram inseridos nesses casos supracitados, muitas vezes, não têm ideia de que o que estão vivenciando é incorreto e criminoso.
Portanto, diante desse cenário caótico, urge medidas para mitigar o trabalho escravo no Brasil. Logo, é dever da Mídia alertar a população da existência desse cenário, suas características e as maneiras de evitar cair em propostas tentadoras, bem como o incentivo à queixa através do, já existente, disque-denúncia do Ministério do Trabalhador, por meio de anúncios televisivos em horário nobre, a fim de diminuir o trabalho escravo no país. Para que, feito isso, casos como o da Madalena Gordiano sejam cada vez menos frequentes.