O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 27/03/2021

Desde a colonização do Brasil, quando negros oriundos da África desembarcaram no país de forma forçada, começou-se a apropriação de sua liberdade. Embora a opressão se manifeste de maneira diferente, o trabalho escravo está sendo ocultado diante a sociedade atualmente. O trabalho análogo a escravidão tem relação com as condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e servidão por dívida. Dessa forma, à desigualdade social e o fator histórico-cultural do país são fatores que colaboram para a persistência do problema no país.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desemprego e a desigualdade são fatores que impulsionam o trabalho escravo. Segundo o Ministério do Trabalho, entre 1995 e 2015, foram libertados 49.816 trabalhadores que estavam em situação análoga à escravidão no Brasil. Esses trabalhadores, que geralmente procuram uma melhor oportunidade de vida, acabam sendo enganados ou obrigados a trabalhar dessa maneira. Como é o caso de proprietários de algumas fazendas que contratam trabalhadores de diferentes regiões, custeando a viagem, alimentação, estadia, etc. Sendo assim, o trabalhador, antes mesmo de iniciar as atividades, já está endividado, sendo obrigado a trabalhar para quitar todo o “investimento” do patrão.

Ademais, é necessário destacar que a escravidão é um fator histórico e cultural que ainda está enraizada no país. Em 1888, com a Lei Áurea, o Brasil se torna um dos últimos países a abolir o trabalho escravo formal. Esse atraso colaborou para a neutralização de padrões culturais de trabalhos. Dessa maneira, trabalhos como o rural e doméstico são, geralmente, realizados de forma precária, sem menor respeito à saúde e a segurança do trabalhador, devido os pensamentos arcaicos da sociedade brasileira.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. O Ministério do Trabalho deve investigar os trabalhos análogos a escravidão por meio da fiscalização. É preciso que essa fiscalização ocorra em diversos setores, como o campo, indústria têxtil, na construção civil e até mesmo no trabalho doméstico. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras nas escolas, conscientizar alunos a respeito do trabalho escravo e suas consequências. Assim, os padrões culturais que neutralizam a desumanização do trabalhador poderão ser superados. Espera-se, com essas medidas, que o trabalho escravo não seja um empecilho para o país.