O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/05/2021

A construção do estado brasileiro possui, em raízes históricas, um sistema escravocrata contínuo. A prática de escravização, muito comum no período colonial brasileiro, tem permanecido na contemporaneidade de maneira camuflada. Com isso, surge a problemática do trabalho escravo que persiste intrisecamente ligada à realidade do país, seja pela sua difícil identificação, seja pela superficialidade lesgilativa em combater esses atos.

O sentimento de liberdade vivenciado na sociedade brasileira, aliado à desinformação, impede a identificação de praticas escravistas no país. De acordo com a Declaração dos Direitos humanos, o trabalho escravo está associado a longas jornadas de trabalho, servidão por dívidas, condições degradantes do trabalho e etc.. Tal enunciado, quando não compartilhado pelos meios públicos de comunicação, como escolas, jornais, rádio e publicidades, impedem o conhecimento geral do real conceito do escravismo atual, promovendo, dessa forma, a permanência desse sistema.

Por outro lado, as aplicações da lei frente as práticas escravistas não impedem totalmente a desestabilização de tais atos. Dados extraídos do Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil revelam que 1,73% dos 35.341 trabalhadores resgatados da escravidão no país entre 2003 e 2017 eram vítimas reincidentes. Essa realidade reflete, de forma direta, a fragilidade legislativa no que confere a interrupção do ciclo escravocrata no país, haja vista que, uma vez libertos tais pessoas não possuem recursos para permanecer em uma sociedade altamente profissional e competitiva, provocando, assim, a reicidência ao sistema.

Entende-se, portanto, que  a persistência do trabalho escravo no Brasil é fruto da “inconciência social”  e ineficiência legislativa. Para atenuar essa situação, o Ministério da Educação deve, através de escolas e faculdades, promover o conhecimento do que seriam praticas escravistas atuais, utilizando  professores do campo de humanas, os quais devem ensinar sobre os atos, consequências e formas de denúncia a essas práticas, com o objetivo de formar alunos e graduandos conscientes dessa realidade.