O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/05/2021

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o autor enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Todavia, em pleno século XXI, o país apresenta uma faceta contraditória do ideal, devido ao trabalho escravo no Brasil contempôraneo. Desse modo, pode-se analisar a aceitação social e o descuido do poder público como causadores da problemática.

Em síntese, é legítimo postular que a aceitação social intensifica o problema. Nesse sentido, o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, informa que, quando um problema acontece com muita frequência na socidade, passa a ser percebido como algo aceitável. Dessa forma, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que trabalham em situações análogas de escravidão aumentou 55%. Portanto, o aumento do trabalho escravo na sociedade não causa espanto nos demais indivíduos, que ficam cientes da situação, mas que não tomam atitudes para acabar com o problema e que, consequentemente, impede que o trabalho escravo acabe.

Ademais, outro fator é a negligência do poder público. Dessarte, pode-se citar o Ministério da Cidadania, que prevê a diminuição dos trabalhos análogos à escravidão, mas que, segundo uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo, os trabalhos escravos continuam a aumentar. Por consequência, fica evidente que as ações (fiscalização nas empresas e incentivar campanhas que lutam contra a escravidão moderna) tomadas pelo Ministério são insuficientes para acabar com o problema. Em suma, representa um descaso, diante da situação que deixa milhares de pessoas trabalhando em condições precárias, pois o Ministério não toma medidas eficazes.

Assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Cidadania crie campanhas de conscientização, por meio das redes sociais, mostrando fotos e vídeos de como combater o trabalho escravo contemporâneo, fazendo com que a população mude as suas atitudes diante da situação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, da mesma maneira que disse Lima Barreto.