O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/05/2021
O filme “Cinderela” narra a história de uma garota que após a morte de seu pai teve sua vida transformada. Na obra, a madrasta e as filhas dessa ridicularizam e obrigam a jovem a fazer todos os trabalhos domésticos e da fazenda. Analogamente, fora da ficção, muitas pessoas são submetidas aos labores escravos na atualidade. Tal problemática prevalece em virtude da negligência governamental e da má influência midiática.
Em primeira análise, o descuido do governo é um dos pilares do problema. Nesse sentido, a atual postura do Estado compactua com o contrário das ideias de John Locke no Contrato Social, visto que não preza pelo bem-estar da sociedade. Desse modo, a ausência de programas para o desenvolvimento educacional e para os desempregados, que visem a ampliação do mercado brasileiro, têm fomentado a ideia de que os trabalhos escravos são uma alternativa aceitável. Logo, a carência de empregos e a não profissionalização dos indivíduos são agentes perpetuadores do impasse.
Ademais, o silenciamento midiático é outro agravante da questão. Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Sob tal ótica, entende-se que a omissão desses modelos criminosos de trabalho pela rede de comunicação tem gerado a ignorância da população a respeito daqueles, uma vez que adquiriram a concepção de que as práticas escravistas acabaram com a Lei Áurea e não conseguem associar uma jornada exaustiva e as péssimas condições de um serviço degradante, sem os direitos previstos na Carta Magna, como escravismo contemporâneo.
Portanto, medidas são necessárias para combater as injustiças no âmbito laboral. Destarte, urge que o Ministério do Trabalho e Emprego crie o projeto “Trabalho Digno”. Nele deve constar a propagação dos direitos trabalhistas pelos meios de comunicação e a maior exposição dos crimes citados nesses. Além disso, será implementado cursos profissionalizantes e haverá a criação de vínculos públicos-privados entre as empresas nacionais. Isso ocorrerá por meio de investimentos estatais e espera-se com essas ações a geração de mais espaço na área econômica do país e a diminuição dos casos de trabalho escravo. Só assim, situações como a de Cinderela poderam ser gradativamente erradicadas.