O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 25/05/2021

Na obra literária: “O cortiço” - de Aluísio Azevedo, o autor retrata a exploração trabalhista, por via do personagem João Romão, que representa a visão capitalista que busca enriquecer a qualquer custo, desde do abuso ao roubo de seus subordinados. Contudo, observa-se, na hodiernidade, que o trabalho escravo ainda está cravado de modo intrínseco na sociedade brasileira. No entanto, tomou-se novos modelos que consegue encobrir, diga-se de passagem, de ser escancarado em frente a nação.

Deve-se pontuar, de início, a negligência do poder público acerca do trabalho escravo no Brasil contemporâneo, uma vez que o Estado não promove diplomacias adequadas para a fiscalização das atividades irregulares efetivadas no país, contribuindo assim, para consequências como: Ausência de direitos trabalhistas, baixas remunerações, ocupações excessivas com uma enorme carga horária. De acordo com Castro Alves, no poema návio negreiro - “Existe um povo que a bandeira empresta, P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!”. Por analogia, nota-se que o Estado têm sido violento ao omitir dignidade ao seu povo, tendo em vista que a legislação é ineficiente, dado que a penalidade mínima para condições análogas à escravidão seja apenas de cinco anos de reclusão em regime fechado.

Outrossim, é necessário enfatizar a relevante colaboração da indústria cultural nas ocupações associadas à escravidão, posto que o mercado nutre apenas o lucro e a concentração de poder para com a oligocracia, corroborando fins que mantém baixos custos, além de promover desigualdade para que, cada vez mais seja preciso fomentar moldes que prendam o homem nesse ciclo. Segundo o geólogo Milton Santos, “A globalização quer culpar os miseráveis pela sua própria miséria”. A partir desse ponto, percebe-se que, para o sistema, é benéfico e lucrativo que existam pessoas miseráveis passando fome, porque, assim, elas vendem sua mão de obra por um preço mais barato, tornando-se até escravas para conseguir o que comer.

Entende-se, portanto, que o Brasil ainda vive dentro de um návio negreiro pela sua ausência de justiça. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério Público, por intermédio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público para projetos que possuam a finalidade de supervisionar os setores de periférias, zonas rurais e garimpos no qual ocorre maiores explorações, sobretudo nas áreas de baixa rentabilidade. Além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto às emissoras abertas de televisão, com intuito de alavancar denúncias sobre o assunto. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações como: palestras e oficinas, a fim de conscientizar os impactos socioeconômicos e socioculturais em volta da escassez de recursos e da fome, que migram o indivíduo para a escravidão.