O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/07/2021

O documentário “The true cost” revela a condição de trabalho degradante a qual empregados da industria da moda são submetidos. Tal situação de carga horária exaustiva e mal remunerada denuncia uma problemática atual: a persistência do trabalho escravo no Brasil. Dessa forma, faz-se mister discorrer sobre essa temática, a qual é agravada por fatores políticos e sociais.

A princípio, vale ressaltar que a persistência do trabalho escravo é decorrente da ineficácia governamental. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 assegura o trabalho digno como direito de todos os cidadãos. No entanto, notícias revelam que uma parcela da população ainda exerce atividades forçadas ou em situações hostis, seja em fábricas ou no campo. Esse panorama é decorrente da insuficiência estatal em fiscalizar e assegurar o direito da população e, assim, demonstra que o governo falha em seu papel e negligencia o pressuposto na Magna Carta.

Ademais, as condições sociais potencializam essa escravidão contemporânea. Nesse viés, o geógrafo Milton Santos afirma que, hodiernamente, há um medo generalizado: do desemprego, da fome e da violência. Seguindo esse pensamento, depreende-se que esse temor corrobora a manutenção do trabalho escravo, uma vez que a população teme tanto a retaliação violenta da denúncia, quanto a possibilidade de uma vida ainda mais precária sem aquele emprego em condições degradantes. Logo, essa situação execrável se mantém no corpo social.

Por conseguinte, é fulcral a mudança desse cenário hostil. Para isso, urge que o Ministério do Trabalho lance uma campanha publicitária que incentive a denuncia de condições de trabalho escravo, por meio de divulgação do disque atendimento anônimo, além de aumentar a fiscalização nos campos e nas industrias. Tais medidas tem o fito de assegurar segurança e o direito ao trabalho digno para toda população. Destarte, o desenvolvimento socioconômico não ocorrerá às custas de atividades laborais ignóbeis.