O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 02/09/2021
Almeida Garret, um dos maiores representantes do Romantismo português, disse que a sociedade deixa o homem deformado. E, mais ainda, que ela, armada de “barras de ferro”, prende e contorce o indivíduo. O interessante é que o poeta em questão permanece vivo em suas reflexões, afinal, a sociedade contemporânea, também armada das “barras de ferro”, depara-se com mazelas como o trabalho análogo à Escravidão. Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental e a escassa abordagem do problema agravam essa situação.
Nesse contexto, é válido destacar que a displicência estatal colabora com esse cenário. De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, todo cidadão brasileiro tem direito à liberdade. Ademais, segundo a CNN, cerca de 200 mil brasileiros vivem em situações semelhantes à escravidão. Esses trabalhadores vivem em condições precárias, não recebem salários, realizam carga horária excessiva e são privados de liberdade, uma vez que são ameaçados pelos “patrões” e, em função disso, não conseguem sair dessa situação. Sob essa ótica, é evidente que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo federal.
Outrossim, alude-se ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, ao evidenciar que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Dessa forma, percebe-se a necessidade do estímulo das escolas na formação de indivíduos íntegros e conscientes, haja vista que existem jovens que não conhecem os parâmetros do trabalho escravo no território nacional. Sendo assim, é importante que o assunto seja abordado nas escolas, caracterizando-o e expondo a situação de subcidadania que diversos brasileiros são expostos. Do mesmo modo, a abordagem desse tema contribui com a não perpetuação dessa mazela no futuro.
Portanto, é evidente que o trabalho análogo à escravidão é uma patologia social que precisa ser vencida. Assim, o Governo Federal deve, por meio do Poder Judiciário, punir, por intermédio de indenização e prisão, as pessoas que mantêm os trabalhadores em situações precárias. Além disso, é importante que o Ministério da Educação, por meio de verbas oriundas do tesouro nacional, crie propagandas publicitárias, divulgadas nas redes sociais e ministradas por sociólogos, que caracterize o trabalho escravo contemporâneo e a situação precária que as vítimas dessa situação padecem, a fim de conscientizar a população e erradicar o trabalho compulsório contemporâneo. Assim, as “barras de ferro” da escravidão serão, de fato, erradicadas.