O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/09/2021
Com a chegada dos portugueses, no período colonial, povos indígenas e, posteriormente, africanos foram submetidos ao processo de escravidão. Embora séculos tenham se passado, o trabalho análogo à escravidão ainda encontra-se presente no Brasil contemporâneo. Esse cenário é fruto, principalmente das raízes históricas e da negligência governamental. Fica claro que é necessário avaliar os fatores supracitados.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a questão histórica agrava a problemática. Acerca disso, é pertiente evidenciar a tese do sociólogo Émile Durkheim sobre o Fato Social, o qual afirma que os movimentos de opinião duradouros chegam ao indivíduo e são suscetíveis de arrastá-lo. Nesse sentido, pode-se afirmar que a mentalidade escravagista, presente desde o século XVI, ainda influencia o ideário social, sobretudo, das elites brasileiras. A exemplo disso, é o caso divulgado pelo portal G1, em que uma mulher negra foi mantida por mais de trinta anos em condições análoga à escravidão por uma família de classe média alta. Dessa forma, enquanto essa mentalidade permanecer na sociedade, a dignidade humana não será oferecida a todos.
Outrossim, é lícito postular que a omissão do Poder Público impulsiona esse revés. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, Instituições Zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Diante do exposto, nota-se que o Ministério da Justiça, em relação trabalho análogo à escravidão que ocorre no hodierno, é uma dessas instituições. Tal fato ocorre devido ao investimento mínimo na divulgação de canais de denúncia, na capacitação de policiais e investigadores, entre outras medidas. Logo, é fulcral a reformulação da postura das autoridades responsáveis.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação do problema. A princípio, o Ministério da Educação - um dos responsáveis pela formação do corpo social - deve implementar aulas sobre alteridade, debates sobre o período de escravidão e outros. Isso pode ser feito, por meio de aulas e palestras com professores e sociólogos. Sendo assim, o ideário escravagista será desconstruído. Ademais, o Ministério da Justiça, com a finalidade de combater o trabalho análogo à escravidão, deve investir na divulgação de canais de denúncia nos meios de comunicação de massa. Além disso, é importante a capacitação de profissionais, para que haja o aumento das investigações policiais e o fim dessa problemática. Com isso, a escravidão ficará apenas no passado.