O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/10/2021

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, o indivíduo virtuoso é aquele que, mediante ações racionais, objetiva, majoritariamente, o alcance da plena felicidade. Entretanto, analisando-se a conjuntura trabalhista tupiniquim, observa-se que, em busca do bem individual, o ser capitalista, egocentricamente motivado, sujeita seus iguais à explorações desumanas. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores responsáveis pela problemática: o contexto histórico nacional e o etnocentrismo europeu.

Convém destacar, primariamente, que o problema advém, em muito, da conjuntura histórica nacional. Assim, segundo o historiador Boris Fausto, em sua obra “História do Brasil”, a abolição da escravatura, em solo verde-amarelo, caracteriza-se como um processo “lento e gradual”, cujos objetivos , teoricamente, incluiriam a plena inserção social dos cativos. Porém, analisando-se a manutenção histórica das desparidades sociais, evidencia-se o caráter político-utópico de tal processo.

Ademais, faz-se necessário apontar a imposição eurocêntrica como impulsionador do ideário escravocrata. Nesse sentido, o sociólogo Darcy Ribeiro, em suas mais diversas obras, evidencia o eu-brasileiro como resultado da miscigenação de três grandes grupos étnicos: o índio, o negro e o europeu. Dessa forma, em busca de supremacia, o europeu julga-se, erroneamente, em uma missão civilizatória, impondo, violenta e desnecessariamente, seus costumes socioculturais em uma sociedade previamente estável.

Portanto, mediante o exposto, faz-se nítida a urgente necessidade interventora. Assim, o Estado, por meio de reformas educativas, vê-se na necessidade de difundir um ideal igualitário, para que o conceito de liberdade seja desfrutado universalmente em território brasileiro. Dessa forma, a convivência multiétnica pacífica tornar-se-á uma realidade próxima.