O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 21/10/2021
De acordo com o livro “Escravidão”, de Laurentino Gomes, o Brasil precisa de uma segunda abolição, pois, ainda nos tempos contemporâneos, há formas de tratamento análogas à escravidão, levando pessoas a se submeterem a situações desumanas e de maus-tratos . Diante da ideia do ilustre escritor, vê-se que a Lei Áurea, implantada em 1888, não foi totalmente eficaz, visto que, no hodierno cenário brasileiro, permaneça a existência do trabalho escravo, o que traz malefícios à toda a população. Dessa forma, torna-se necessário intervir na questão apontada, que é motivada não só pela baixa rigorosidade da lei, mas também pela falta de incentivos governamentais para a fiscalização dos setores empregatícios de todo o país.
Primordialmente, a lei vigente na Constituição Federal proíbe o trabalho escravo no território brasileiro, porém a validade não está sendo respeitada, colocando uma grande parcela da comunidade em conjunturas de maus-tratos, baixos preços e cargas horárias extensas. Consoante John Locke, filósofo inglês, onde não há lei, não há liberdade. Levando em consideração tal pensamento, conclui-se que é de extrema importância o aumento da rigorosidade da lei já existente e sua devida reformulação, proporcionando melhores condições de vida e propiciando a liberdade que todos os cidadãos têm direito, favorecendo a diminuição das taxas de desigualdade .
Ademais, uma escassa ajuda a poder público nas áreas e formas de fiscalização do trabalho é de grande preocupação, uma vez que a falta de medidas para um efetivo apoio traz muitos impactos negativos nas vidas pessoais e coletivas da população, tornando, assim, o trabalho escravo cada vez mais presente. Segundo dados da Secretaria da Inspeção do Trabalho, em 2020 foram resgatados 942 trabalhadores em condições idênticas à escravidão. Dessa forma, é perceptível a necessidade de uma melhor aplicação da fiscalização dos diversos meios empregatícios, buscando a erradicação total da realidade brasileira.
Portanto, mostra-se de fundamental necessidade a implantação de maneiras para a resolução do impasse acerca do trabalho escravo contemporâneo. Assim, o Poder Legislativo deve aumentar a rigidez da lei já existente, por meio da elevação da pena para dez anos de prisão, afim de alcançar a melhor efetivação das pautas previstas e diminuir as formas ilegais de trabalho. Outrossim, a Receita Federal precisa investir uma maior parcela dos impostos arrecadados nos setores de fiscalização dos empregos, promovendo visitas de realizar cotidianas aos centros mais prováveis de se encontrar trabalhos desumanos, principalmente nas periferias, trazendo, dessa forma, um cresciemento do processo de igualdade e desenvolvimento do país.